Quando chegar a Portugal, o Netflix estará aberto a produções portuguesas

Empresa negoceia direitos vendidos a canais de televisão de House of Cards e Orange is The New Black. Numa primeira fase, estas duas séries não estarão disponíveis no serviço em Portugal.

Netflix está a negociar os direitos da série para tentar que esta possa ser vista tanto na televisão como no seu serviço de streaming
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Netflix está a negociar os direitos da série House of Cards para tentar que esta possa ser vista tanto na televisão como no seu serviço de streaming Reuters

Ainda pouco se sabe sobre a programação para Portugal do Netflix, o serviço de streaming que permite ver um número ilimitado de séries e filmes através de uma assinatura mensal. Há negociações em curso mas é certo que em Outubro quando o serviço chegar farão parte do catálogo alguns filmes portugueses ou até telenovelas. A aposta em novas produções nacionais em exclusivo para o Netflix, como já aconteceu em alguns países, não está fora de questão.

Foi em 2012 que a empresa norte-americana começou a apostar na criação de conteúdo próprio para chegar a um maior número de pessoas. Um ano depois, apresentou House of Cards e a estratégia revelou ser uma aposta ganha. A série protagonizada por Kevin Spacey e produzida por David Fincher sobre a ascensão ao poder do congressista norte-americano Frank Underwood foi um sucesso junto do público e da crítica e marcou o início de uma era para o Netflix, que existe desde 2007. À saga política já se seguiram outras tantas séries de sucesso como Orange is the New Black e até filmes. Três anos depois, e com o serviço a conquistar o mercado internacional, a empresa começa agora também a arriscar em produções nacionais: em França está a produzir a série Marselha, em Inglaterra está em curso The Crown e na Colômbia filma-se Narcos, sobre o traficante Pablo Escobar.

É neste quadro que em Outubro o serviço chega a Portugal, Espanha e Itália. “Estamos sempre abertos a produções locais, tem é de ser um projecto bacana”, diz ao PÚBLICO Amanda Vidigal, responsável pela comunicação do Netflix no Brasil e a comandar o lançamento em Portugal. “Não temos nada nos planos por enquanto mas as pessoas podem apresentar propostas”, continua, garantindo que a empresa que conta com 62 milhões de assinantes em todo o mundo “tem toda a abertura”.

Só em Setembro é que vai ser revelada a programação do Netflix para cá, só então se saberá que séries e filmes é que poderão ser vistos em Portugal, mas Amanda Vidigal explica que normalmente o que acontece é que cerca de 80% da oferta é constituída por conteúdo global e 20% por conteúdo local. “Não há nada fechado ainda mas pode ser de tudo: séries, documentários, filmes, novelas”, diz, contando que no México, por exemplo, há muitas novelas no Netflix. Também é possível que da oferta portuguesa façam parte títulos brasileiros como Tropa de Elite ou Cidade de Deus. “Afinal a língua é a mesma”, sublinha a responsável.

O que não se verá por cá, pelo menos numa fase inicial, é House of Cards e Orange is The New Black. “Quando lançámos estas duas séries tínhamos presença em poucos países e estávamos a testar as nossas séries originais, então em alguns países da Europa vendemos a licença”, conta Amanda Vidigal. “Hoje esses canais têm o direito dessa exibição. Estamos a tentar negociar”, continua, explicando que estes direitos se aplicam a todas as temporadas. Em Portugal, House of Cards passa actualmente na SIC e no canal por cabo TV Séries. Já Orange is The New Black ainda não chegou ao mercado português. “Pode ser que até Outubro ainda alguma coisa mude, estamos a batalhar para ter essas séries.” Nem que seja em simultâneo com a televisão, diz.

Certo é que todas as outras produções do Netflix estarão disponíveis. É o caso da série da Marvel Daredevil, Bloodline, Marco Polo, Unbreakable Kimmy Schmidt ou Sense8. E, como é característica do Netflix, os episódios ficam disponíveis de uma assentada. Não há aqui aquela coisa de ter esperar uma semana por novas actualizações à história. “O Netflix dá o poder ao consumidor”, diz a responsável brasileira, para quem todo o tipo de concorrência é uma mais-valia. “Não queremos substituir nenhum tipo de entretenimento, somos mais uma opção e uma opção acessível”, afirma. “Todos têm de ir ao cinema, ter pacotes de televisão e agora podem ter também o Netflix que tem conteúdo exclusivo e de qualidade.”

Além da produção própria, centenas de outros títulos estão disponíveis no Netflix. Há séries antigas como Friends ou mais recentes como Anatomia de Grey. A lista de filmes também é variada. “Por cá, ainda estamos a negociar com as distribuidoras”, diz Amanda Vidigal. Mas alerta: “Não é porque um filme saiu no cinema que vai entrar no Netflix. Se acharmos que as pessoas vão gostar muito, é claro que vamos tentar negociar.”

“O Netflix é uma curadoria de conteúdos”, explica, acrescentando que para começar a utilizar o serviço cada usuário tem de criar um perfil para o qual escolherá três títulos de filmes ou séries. É a partir desta escolha que serão depois apresentados ao utilizador outros títulos dentro do mesmo género. Há ainda um perfil infantil, onde só aparecem conteúdos indicados até crianças com 12 anos. “É uma área completamente segura, a criança não vai correr o risco de ver conteúdos inapropriados.”

Os preços para a subscrição em Portugal ainda não estão definidos mas segundo Amanda Vidigal não devem ser muito diferentes daqueles praticados em França, por exemplo, onde o pacote mais barato custa 7,99 euros. Existem depois mais dois pacotes que permitem ver os filmes e séries em alta definição, e em mais do que um dispositivo. “Não acredito que o preço vá fugir muito”, esclarece, revelando que todos os portugueses poderão experimentar o serviço gratuitamente durante um mês. “Só precisam de ter ligação à internet, seja no computador ou na televisão ou numa consola como a Playstation, a x-Box ou a Wii.”

Amanda Vidigal diz que a empresa entra no mercado português sem expectativas ou metas definidas. “Sabemos que há todo um caminho, principalmente nos países que não têm uma cultura próxima da americana”, diz. “As pessoas precisam de entender o que é o Netflix, precisam conhecer.”

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