Cameron quer lutar contra os 90 mil tweets diários do Estado Islâmico

Europol vai lançar uma célula encarregue de recolher à escala internacional informações sobre os sites extremistas.

Cameron quer travar o recrutamento de jovens europeus por parte dos jihadistas
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Cameron quer travar o recrutamento de jovens europeus por parte dos jihadistas ZUZANA HALVONIKOVA/AFP

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, quer que a Europa conceba uma estratégia agressiva na Internet para travar a partida de jovens europeus para o Médio Oriente para se juntarem ao grupo Estado Islâmico (EI) e outras organizações jihadistas.

Numa intervenção na conferência Globesec sobre segurança, que está a decorrer em Bratislava, na Eslováquia, Cameron disse que a Europa deve organizar uma ofensiva na Internet, meio que o EI utiliza “como principal ferramenta para difundir a sua visão deformada do mundo”.

“Estamos a trabalhar com outros membros da UE para constituir a Unidade de Referenciamento da Internet (URI), baseada no modelo britânico e que deve começar a funcionar no próximo mês”, anunciou. No Reino Unido, explicou, cerca de 90 mil mensagens foram suprimidas da Web desde 2010, no quadro da luta contra a “propaganda terrorista”.

No dia 1 de Julho, a organização policial europeia Europol deve lançar a URI, uma célula encarregue de recolher à escala internacional informações sobre os sites extremistas.

Segundo um estudo citado no quadro deste projecto, os apoiantes do EI utilizaram em quatro meses mais de 46 mil contas twitter e produziram 90 mil tweets e outras mensagens em diferentes redes sociais.

Para o primeiro-ministro britânico, a identificação dos motivos e dos métodos utilizados pelo EI poderá fornecer instrumentos de luta mais eficazes contra a ameaça jihadista. Numa entrevista recente à AFP, o coordenador da União Europeia para o antiterrorismo, Gilles de Kerchove, calculou que 4000 europeus que já se terão juntado ao EI.

Cameron lamentou que muitos destes jovens recrutas tenham abandonado “famílias que os amavam, casas confortáveis, boas escolas e perspectivas brilhantes para percorrer milhares de quilómetros, amarrar explosivos ao seu corpo para se fazerem explodir e matar pessoas inocentes”.

Para o líder britânico, as comunidades e as famílias muçulmanas podiam fazer muito mais para combater o extremismo, evitando dar o seu aval silencioso a posições e declarações extremistas. E deu dois exemplos recentes, o de um rapaz de 17 anos no Norte de Inglaterra que se fez explodir no Iraque e o de três irmãs que abandonaram os seus maridos para viajarem para a Síria com os seus nove filhos, para mostrar como as pessoas podem passar do preconceito religioso para o extremismo fanático.

Na sua intervenção em Bratislava, Cameron disse que as pessoas que, por exemplo, acreditam que a democracia é errada, que as mulheres são inferiores e que a doutrina religiosa se impõe às leis do Estado, partilham a ideologia dos islamistas radicais. “Há pessoas que defendem estas ideias mas que não chegam ao ponto de apelar à violência”. No entanto, os seus preconceitos acabam por caucionar a narrativa dos extremistas e dar peso à ideia de que todos os muçulmanos “fazem parte disto”. E isso, sublinhou David Cameron, “abre caminho para que os mais jovens transformem um preconceito latente numa intenção criminosa” com a caução das opiniões de muitos dos que os rodeiam.

Reunidos nos próximos dias em Bratislava, uma dezena de dirigentes, sobretudo da Europa de Leste, vão debater os desafios da segurança mundial, incluindo as tensões com a Rússia e o terrorismo internacional.