Técnicos acusam INEM de gastar 22 milhões em viaturas que não terão equipas

Técnicos acusam INEM de prometer investimento "impossível" já que 52 novas viaturas implicam a contratação de 190 profissionais, número não comportado pelo quadro de pessoal. Instituto acusa técnicos de fazerem "guerra pessoal" ao presidente.

A morte foi declarada no local pelo INEM
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A morte foi declarada no local pelo INEM Nelson Garrido

O INEM adiantou terça-feira que vai investir 22 milhões de euros até ao final do ano para a disponibilização de mais 52 novas viaturas de emergência. Porém, os técnicos do INEM garantem que esse investimento é “impossível até ao final de 2015, já que tantos novos meios implicam a contratação de mais 190 técnicos”, um número que já não é comportado pelo actual quadro de profissionais do instituto.

O “quadro do INEM só permite a contratação de mais 131 técnicos além dos concursos a decorrer” e o “processo de selecção, formação e estágio não permite que os técnicos estejam prontos antes de 2016”, salienta o Sindicato dos Técnicos de Ambulância de Emergência (STAE) num comunicado enviado esta quarta-feira. Actualmente decorrem dois concursos, um para a contratação de 85 técnicos de emergência e outro para a contracção de 70 técnicos operadores de telecomunicações.

O STAE acusa o Conselho Directivo do INEM, "habituado a iludir os seus trabalhadores", de estar agora a "iludir os portugueses, apresentando números que não vai ser capaz de cumprir". Os técnicos recordam ainda que "a compra e transformação das ambulâncias e motas obedece a concursos públicos igualmente morosos, impossíveis de realizar no tempo apresentado".

Questionado pelo PÚBLICO, o INEM lamentou as declarações do sindicato que, disse, só se verificarem por "desinformação". Aliás, o instituto adiantou que, além dos concursos já a decorrer, "está prevista a abertura de outro, para total normalização do número de efectivos no quadro orgânico do INEM, que passou por um alteração e aumento de lugares em 2014, que têm de ser providos". O instituto, porém, não confirmou o número de funcionário previsto no quadro. Para o INEM, "os portugueses já só se podem questionar sobre o porquê de uma guerra pessoal" ao presidente daquele instituto "escolhido em concurso público que tomou posse em Março de 2014 e que ainda em 2014 decidiu e concretizou a colocação no terreno de mais 12 novos meios de emergência".

O instituto anunciou também esta quarta-feira que vai abrir, no início de Julho, 25 postos de emergência médica (PEM) em corpos de bombeiros, totalizando 300 ambulâncias em 257 dos 278 concelhos do país. Trata-se de ambulâncias fornecidas pelo INEM às corporações e cujas tripulações são constituídas por bombeiros.

Segundo o STAE, o quadro do INEM é composto por 761 Técnicos de Ambulância de Emergência e 265 Técnicos Operadores de Telecomunicações de Emergência. O instituto tem ainda “39 ambulâncias de suporte imediato de vida, 56 ambulâncias de emergência e oito motociclos de emergência médica”.

Os técnicos do INEM recusam há mais de uma semana a realização de horas extraordinárias, em Lisboa, o que tem dificultado o preenchimento de todos os turnos e o serviço daquele instituto na capital. Aliás, o presidente do INEM, Paulo Campos, decidiu levar a cabo a reorganização do dispositivo tendo fechado esta segunda-feira duas bases do INEM no centro de Lisboa e reduzido o horário de funcionamento de outras cinco.

A medida foi criticada pelo STAE cujo presidente, Ricardo Rocha, adiantou estar a preparar uma queixa-crime para apresentar contra Paulo Campos, considerando que o encerramento de bases compromete o socorro e pode representar perigo para doentes.

Os técnicos admitiram, contudo, virem a cancelar a greve às horas extraordinárias em Lisboa depois de o Governo ter entregado esta terça-feira a proposta oficial para a regulamentação da carreira que já há muito tempo é reivindicada por estes profissionais.

“Podemos vir a levantar também a greve [marcada para dia 24 deste mês], mas teremos primeiro de conversar com os técnicos em assembleia para perceber se é essa a sua vontade”, disse ao PÚBLICO o presidente do Sindicato dos Técnicos de Ambulância de Emergência (STAE), Ricardo Rocha que recebeu terça-feira a proposta de carreira das mãos do secretário de Estado adjunto do ministro da Saúde, Fernando Leal da Costa, com quem esteve reunido.