Ministério Público apreende bens de Salgado e de outros ex-administradores do BES

Operação apreendeu barcos, carros, dinheiro, quadros, ouro e jóias.

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José Sarmento Matos/Arquivo

A Polícia Judiciária (PJ) e o Ministério Público realizaram esta quarta-feira buscas à família Espírito Santo e a ex-administradores do Banco Espírito Santo (BES) , tendo apreendido uma grande quantidades de bens incluindo barcos, carros, dinheiro, quadros, ouro e jóias. De acordo com várias avaliações existentes nas três dezenas de processos relacionados com o universo Espírito Santo, os bens móveis e imóveis confiscados pelas autoridades já totalizam cerca de 1,8 mil milhões de euros.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou ao PÚBLICO "a realização de diligências no âmbito das investigações relacionadas com o denominado Universo Espírito Santo" e que essas "diligências incluem cinco buscas bem com a concretização de arresto de bens". Estarão em causa crimes de branqueamento de capitais e fraude fiscal.

A operação visou apreender bens de elevado valor e concentrou-se na Grande Lisboa e no Alentejo. As autoridades apreenderam barcos e carros de luxo, quadros valiosos, objectos em ouro e jóias. Os bens mais pequenos ficarão guardados em salas-cofre na sede da PJ e os carros em garagens alugadas para o efeito. 

Uma das buscas foi levada a cabo na residência habitual de Ricardo Salgado, em Cascais, e outra na casa  de férias da Herdade da Comporta, no Alentejo. Amílcar Morais Pires e José Manuel Espírito Santo, ex-administradores do BES, estão entre os visados pelas buscas e pelas apreensões, confirmou ao PÚBLICO fonte da PJ. 

A operação, que contou com dezenas de inspectores da Unidade Nacional de Combate à Corrupção da PJ, decorreu depois de em Maio a PGR ter adiantado que tinha sido feito um “arresto preventivo de bens imóveis e valores patrimoniais de outra natureza titulados por pessoas singulares e colectivas relacionadas com o 'Universo Espírito Santo'”. Entre os imóveis arrestados estão propriedades da Rioforte (o braço não financeiro do grupo) e de subsidiárias desta empresa. Nessa altura a PGR especificou que corriam então no Departamento Central de Investigação e Acção Penal 29 inquéritos relacionados com o colapso do BES e do GES.

Vários órgãos de comunicação, entre os quais o Correio da Manhã e a TVI, depois de divulgado o arresto de bens, noticiaram então que foram confiscados entre 500 e 600 imóveis do Grupo Espírito Santo (GES) e milhões de euros de produtos bancários, num valor total superior a mil milhões. A maioria dos imóveis serão prédios rústicos e urbanos pertencentes à Rioforte, que é dona, entre outros, da Herdade da Comporta. 

Também nesse mês, a PJ e o Ministério Público fizeram buscas numa empresa em Lisboa, na Espírito do Santo Property (ESP), uma firma detentora de bens imobiliários ligada ao GES.

A PGR garantiu então que a operação decorreu nas instalações de uma empresa, na capital, no âmbito de investigações relacionadas com o denominado “Universo Espírito Santo”. As buscas visaram os três pisos ocupados por aquela e por outras empresas ligadas ao GES na Avenida da Liberdade, na mesma cidade.

Nestas diligências, lideradas pelo juiz Carlos Alexandre do Tribunal Central de Instrução Criminal, os investigadores terão procurado provas da dissimulação do património, mas não foram nessa constituídos arguidos.