Guitarrista-prodígio de 15 anos presta tributo em Lisboa a Paco de Lucía

O Festival Flamenco de Lisboa dedica a sua oitava edição ao mestre. Um jovem prodígio, Amós Lora, vai lembrá-lo esta quinta-feira no CCB.

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Amós Lora começou a tocar aos 3 anos DR

Passado um ano sobre a morte de Paco de Lucía (1947-2014), o Festival Flamenco de Lisboa dedica-lhe a sua oitava edição. Primeiro com um filme, depois com um concerto onde pontuará um jovem guitarrista que o próprio Paco de Lucía elogiou, ao ouvi-lo tocar um dos seus mais marcantes temas, Entre dos águas. “Fazemos esta homenagem num diálogo entre gerações”, escreve no programa deste ano o fundador e director artístico do festival, Francisco Carvajal.

O filme, intitulado Paco de Lucía: La Búsqueda, é um documentário da autoria de Curro Sánchez, seu filho, e parte de uma digressão que o mestre guitarrista realizou pela Europa em 2012. A pretexto dessa viagem, propõe-se “uma viagem à alma de Paco: às suas memórias, às coisas que o atormentam, que lhe interessam ou que o fazem rir abertamente. Através de flashbacks e com ele como único narrador, o documentário desenrola-se em ordem cronológica desde a sua infância até aos seus últimos dias, em Mallorca, onde finalizou os arranjos finais para o seu álbum póstumo.” A projecção é esta quarta-feira no Instituto Cervantes, em Lisboa, pelas 18h30, e será apresentada por Lucía Sánchez, também filha de Paco de Lucía e produtora do filme. A entrada é livre.

Na quinta-feira, as celebrações transferem-se para o Grande Auditório do CCB, às 21h. Desta vez para dar a ouvir um guitarrista-prodígio que, com o seu sexteto, homenageará Paco de Lucía. Terá consigo dois convidados: a bailaora Paloma Fantova (nascida em Puerto Real, Cádiz, em 1989, tem já uma carreira internacional firmada há anos) e o guitarrista português Manuel d’Oliveira.

Amós Lora, o jovem guitarrista que é a estrela da noite, nasceu em Madrid, a 21 de Setembro de 1999. Começou a tocar guitarra aos 3 anos, sob a direcção do seu pai, professor de música, e aos 6 anos já se iniciava nos meios flamencos estudando com “El Entri”, na escola de “Caño Roto”. Aos 8 anos conheceu Tomatito, que ficou deslumbrado com as suas capacidades, e aos 10 anos, finalmente, tocou para Paco de Lucía. Foi uma apresentação privada, em Roma, e o talento do jovem guitarrista impressionou de tal modo o mestre que, na contracapa do primeiro CD gravado por Amós Lora, em 2011, este escreveu: “Amós, se continuas a tocar assim vais pôr-nos a todos na falência”. A frase era antiga: foi preferida pelo grande guitarrista Niño Ricardo (1904-1972) ao escutar o próprio Paco de Lucía, era este ainda um jovem promissor. O facto de Paco transferir tal frase e tal ideia para o jovem Amós diz muito da forma como ele encarou os seus dotes musicais.

Já Paloma Fantova, a bailaora que estará também no palco do CCB, começou também a bailar cedo, aos 4 anos, acompanhada à guitarra pelo pai. Aos 6 anos teve a sua primeira aparição na TV espanhola e, pouco depois, já integrava um elenco com Antonio Canales. Aos 9 anos bailava com Farruquito e, nos anos seguintes, trabalhou com Manuela Carrasco, Joaquin Cortés ou Tomatito.

Manuel d’Oliveira, o guitarrista português convidado, nasceu em Guimarães, em 1978, e também começou a tocar cedo, com o pai, aos 6 anos. Em disco, estreou-se em 2002 com Ibéria, gravação onde participaram Jorge Pardo e Carles Benavent. Tem igualmente vasta carreira internacional.

Por fim, na sexta-feira dia 19, o Festival Flamenco apresenta no Clube Ferroviário o grupo Gipsy Rapers. Nascido no Barrío de Santiago de Jerz de la Frontera, em 2008, este grupo embrenhou-se no flamenco, mas fundindo-o com outros géneros: rap, bossa nova, pop e funk. Às 22h.