Uma equipa talentosa com encontro marcado com a II Liga

Portugal ficou-se pelos quartos-de-final do Mundial sub-20. Os pupilos de Hélio Sousa mostraram talento, mas ainda têm uma geração à sua frente antes de poderem afirmar-se definitivamente ao mais alto nível.

O brasileiro Danilo e Rony Lopes lutam pela bola
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O brasileiro Danilo e Rony Lopes lutam pela bola Michael Bradley/AFP
André Moreira não consegue defende num remate brasileiro de grande penalidade
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André Moreira não consegue defende num remate brasileiro de grande penalidade Michael Bradley/AFP
Português Domingos Duarte tenta tirar a bola a Gabriel Jesus
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Português Domingos Duarte tenta tirar a bola a Gabriel Jesus Michael Bradley/AFP
Brasileiros comemoram no final da partida
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Brasileiros comemoram no final da partida Michael Bradley/AFP
Jogadores portugueses no final da partida
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Jogadores portugueses no final da partida Michael Bradley/AFP

Ainda não foi desta que uma selecção portuguesa de sub-20 conseguiu imitar os feitos das equipas de 1989 e 1991. Nos quartos-de-final do Mundial que está a decorrer na Nova Zelândia, a selecção orientada por Hélio Sousa caiu nos penáltis frente ao Brasil. Apesar do fracasso, esta equipa mostrou talento suficiente para merecer um aproveitamento a curto/médio prazo, mas será que a ausência do título mundial vai diminuir a aura destes jogadores na afirmação no futebol sénior? O seleccionador Hélio Sousa, que fez parte da selecção campeã de 1989, acha que não.

“Foi uma excelente competição para nós. Estes jogadores viveram momentos únicos que os ajudarão a ser mais fortes amanhã, a conquistar espaço no futebol português e a dar ao nosso futebol mais qualidade para o futuro”, garante Hélio, que, após o título de 1989, cumpriu quase toda a carreira no Vitória de Setúbal e ainda chegou a ser por uma vez internacional A — apenas seis minutos como suplente utilizado, num particular em Oslo, com a Noruega.

Olhando para o historial das selecções portuguesas que estiveram em Mundiais de sub-20, nenhuma deu tantos jogadores à selecção A como a que foi campeã em 1991, em Lisboa. Dos 18 jogadores que integravam essa equipa orientada por Carlos Queiroz, 11 chegariam à selecção principal, entre eles três dos oito mais internacionais de sempre, Luís Figo, Rui Costa e João Vieira Pinto, sendo que Figo, João Pinto e Emílio Peixe se estrearam (com Queiroz) pelos “A” 113 dias depois da final de Lisboa.

Da selecção que foi campeã em 1989, na Arábia Saudita, foram nove a chegar à selecção principal. Já a de 1993, que não passou da primeira fase, produziu apenas dois internacionais A que não tiveram grande projecção (Litos e Porfírio). Da de 1995 saíram seis, mas só três tiveram presença significativa, Quim, Beto e Nuno Gomes (Mário Silva, Jorge Silva e Dani foram os outros). Da equipa de 1999, quatro chegaram à selecção principal, mas só Marco Caneira e, principalmente, Simão Sabrosa é que deixaram marca, enquanto Neca só participou em dois jogos e Hugo Leal em um.

Das últimas três participações portuguesas em Mundiais sub-20 saiu, para já, um total de nove internacionais: Rui Patrício, Antunes e Fábio Coentrão (2007); Cédric Soares, Nélson Oliveira e Danilo Pereira (2011); João Mário, André Gomes e Ivan Cavaleiro (2013). É claro que estar num Mundial sub-20 não é argumento para chegar à selecção principal. Jogadores-referência de Portugal da última década, como Ricardo Carvalho ou Cristiano Ronaldo, nunca participaram nessa competição. Pelo contrário, jogadores que brilharam no Mundial 2013, como Bruma ou Aladje (os dois melhores marcadores da equipa portuguesa), andam longe da selecção principal, mais o ponta-de-lança ligado ao Sassuolo (que tem andado de empréstimo em empréstimo pelas divisões secundárias de Itália), que o extremo do Galatasaray (prejudicado por lesões desde que saiu do Sporting para a Turquia).

A grande maioria dos jogadores que estiveram neste Mundial da Nova Zelândia tem pouca ou nenhuma experiência nas principais equipas dos respectivos clubes e é previsível que quase todos continuem no mesmo patamar em 2015-16. Dos 21 eleitos de Hélio Sousa, 16 irão cumprir a maior parte ou totalidade da próxima temporada, salvo algum empréstimo, na II Liga portuguesa ao serviço das equipas B. Destes 16, cinco estão ligados ao FC Porto, cinco ao Benfica, quatro ao Sporting, um ao Vitória de Guimarães e um ao Sp. Braga. Dois têm contrato com clubes da I Liga sem equipa B (Nélson Monte, Rio Ave, e André Moreira, Moreirense) e três estão ligados a equipas estrangeiras (Rony Lopes, Manchester City, Estrela, Orlando City, e Janio Bikel, Heerenveen).

E no que à selecção diz respeito, esta equipa ainda tem uma geração à frente, essa sim, já com bastante rodagem. Falamos dos sub-21 de Rui Jorge que vão estar no Europeu da categoria na República Checa e que já contam com nove internacionais A — Paulo Oliveira, Raphael Guerreiro, William Carvalho, Rafa, Bernardo Silva, Ivan Cavaleiro, Ricardo Horta e João Mário.