Rebanho colectivo ganha primeiro prémio de concurso de ideias portuguesas

Plataforma online para juntar empreendedores portugueses que queiram internacionalizar os seus negócios recorrendo a emigrantes portugueses no estrangeiro e rádio online para crianças ganharam o segundo e terceiro prémios.

Donos dos animais do futuro rebanho comunitários poderão estar em qualquer lado
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O projecto que ganhou pretende pôr em prática o pastoreio em 400 hectares de terrenos baldios. Paulo Ricca

A criação de um rebanho colectivo na aldeia de Rio Frio (concelho de Arcos de Valdevez), cujas 200 cabras podem ser adoptadas por emigrantes, ganhou o primeiro prémio da quarta edição do concurso de inovação social Faz-Ideias de Origem Portuguesa, promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian.

“Lá se pensam, cá se fazem” é o mote deste concurso de empreendedorismo social, lançado em 2010, que tem de incluir candidatos a viver fora de Portugal, que tenham ideias na área do ambiente, inclusão social, envelhecimento, participação da sociedade civil na resolução dos problemas sociais. Este ano houve 54 ideias a concurso com 201 participantes portugueses de 29 países. O primeiro prémio, que recebe 25 mil euros, foi entregue pelo Presidente da República esta quinta-feira, em Lisboa.

O projecto ganhador pretende pôr em prática o pastoreio em 400 hectares de terrenos baldios, instalando um rebanho colectivo de 200 cabras autóctones da raça serrana e bravia, em que os habitantes da freguesia e a diáspora são convidados a adoptar um animal, mediante o pagamento de uma quantia anual.

Um dos seus objectivos, explica o comunicado da Gulbenkian, é “minimizar o risco de incêndio diminuindo a carga combustível no território [porque comem a vegetação que cresce em terrenos abandonados]” e “proporcionar algum conforto à população da freguesia de Rio Frio, muito envelhecida e socialmente deprimida. Espera-se ainda o reforço dos laços afectivos da comunidade emigrante às suas origens e o fomento do espírito solidário entre conterrâneos.”

O segundo lugar, que receberá 15 mil euros, chama-se TEIA e pretende ser um ponto de encontro online que junte empreendedores portugueses que pretendam  internacionalizar os seus negócios, recorrendo para tal a emigrantes portugueses estabelecidos no estrangeiro.

“Através da TEIA, os empreendedores têm a possibilidade de contratar serviços de profissionais portugueses estabelecidos nos mercados-alvo dos seus negócios. Os emigrantes, por sua vez, têm a oportunidade de manter-se vinculados ao tecido empresarial português, apesar da distância do país." O projecto-piloto encontra-se a decorrer no Chile, porque dois dos promotores residem nesse país.

Uma rádio online para crianças recebeu o terceiro prémio e 10 mil euros. O projecto consiste numa web rádio para crianças falada em português. Os temas, notícias, a música e os conteúdos serão para crianças mas serão igualmente uma ferramenta para os pais, educadores e outras pessoas que trabalhem com este público. A rádio terá como público-alvo crianças e famílias portuguesas e/ou luso-descendentes, residentes em qualquer parte do mundo. Os objectivos do projecto passam por proporcionar às crianças o contacto com a língua portuguesa e acompanhar o que se passa no país.

Pelo caminho ficam os outros sete finalistas deste ano, que irão receber uma formação dada pelo Instituto de Empreendedorismo Social. Da lista faziam parte um projecto-piloto para criação de um jardim de borboletas e viveiro de plantas num centro social de Lisboa (Cidade com Asas), a comercialização de produtos da colmeia, como o mel, pólen e a cera (BEERURAL), um projecto de acesso às artes em áreas do país com pouca oferta (Manta de Retalhos) ou um projecto de reaproveitamento de cabos e carregadores, através da sua recolha, selecção e comercialização (Ligação Solidária 123).

No ano passado ganhou o projecto Sumos Portugal, que consiste na criação de pontos de venda ambulante de sumos de frutas e outros produtos hortícolas naturais, vendidos por pessoas com deficiência. Em segundo lugar ficou o Salva a lã portuguesa – a ideia é que a lã das ovelhas, que costuma ser deitada fora, seja comprada a produtores nacionais e que sejam formadas pessoas que saibam fiar. A Plantei.eu, que ficou em terceiro lugar, consiste na criação de uma plataforma online europeia de promoção e suporte da troca de sementes, contribuindo para a preservação da biodiversidade agrícola. Estes três projectos ainda estão ainda em fase de implementação, informou a fundação.

De vento em popa parecem estar dois projectos da edição de 2013. O próximo concerto da Orquestra XXI está marcado para 28 de Junho na Casa da Música. Este projecto juntou cerca de 50 músicos portugueses que tocam nas melhores orquestras de todo o mundo e que vêm de propósito a Portugal para realizar concertos, alguns dos quais gratuitos, e dinamizar academias de música nacionais. A orquestra nasceu em 2013 e fez três digressões nacionais.

Já o projecto Fruta Feia, que ganhou o segundo prémio nesse ano, informa no seu site que, no “primeiro ano de e meio de funcionamento e com os actuais 650 consumidores associados, evitou o desperdício de 98.539 quilos de frutas e hortaliças.” O projecto foi criado para diminuir o desperdício de fruta que, “apesar de ser saborosa e de qualidade, não tem o aspecto ‘bonitinho’ que a grande distribuição procura e que os consumidores escolhem”. Foi uma ideia de uma portuguesa a viver em Barcelona. O mote é “Gente bonita come fruta feia”.

Já no projecto Arrebita! Porto, que venceu a primeira edição, em que um grupo de arquitectos pretendia oferecer a possibilidade de senhorios de prédios degradados reabilitarem o seu imobiliário a custo zero, chegou ao fim no final de 2014. Numa nota deixada na página do Facebook do projecto diz-se "que o desenho colaborativo do projecto contém um número de falhas que o tornam inviável." Diz-se que falharam as três premissas de base, nomeadamente que os trabalhos de obra seriam executados por jovens arquitectos e engenheiros voluntários, que os produtos e serviços seriam doados no quadro de mecenato social e que a coordenação dos trabalhos seria assegurada por universidades.
 

Notícia corrigida em 15/06/2015, após sugestão de um leitor: a aldeia de Rio Frio fica no concelho de Arcos de Valdevez e não de Bragança.