A doDOC é a primeira empresa de origem portuguesa a integrar a Techstars Pixabay
Foto
A doDOC é a primeira empresa de origem portuguesa a integrar a Techstars Pixabay

doDOC: start-up portuguesa entre as melhores do mundo

A partir de Coimbra, três amigos criaram uma “start-up” que se dedica à gestão documental — e à poupança de tempo nas empresas. A doDOC é primeira empresa portuguesa a integrar a Techstars, em Boston

Carlos Boto, Paulo Melo e Federico Cismondi conheceram-se quando frequentavam o programa de doutoramento do MIT Portugal. Passavam muitas horas por semana a rever a forma dos conteúdos que trabalhavam — e, como eles, muitos investigadores sofrem do mesmo problema. “Percebemos que não havia qualquer razão, do ponto de vista técnico, para que os investigadores perdessem tanto tempo com questões não relacionadas com o conteúdo”, começa por dizer Carlos Boto, em conversa com o P3 a partir dos Estados Unidos. Desta constatação nasceu a doDOC, a primeira empresa portuguesa a integrar a prestigiada aceleradora de “start-ups” Techstars, em Boston.

“Tudo o que não é a mensagem científica diminui a produtividade: a constituição de equipas, a pesquisa de informação e a formatação”, descreve o jovem. “As pessoas nem imaginam mas para quem trabalha com documentos diariamente, pelo menos um dia por semana é perdido em formatação.” O que os três engenheiros — dois portugueses e um argentino — fizeram foi “automatizar todos os passos que consideraram não essenciais para o desempenho profissional”. Poupar tempo e aumentar a produtividade são os dois objectivos desta plataforma de gestão documental.

Neste momento, a equipa da doDOC está focada em soluções empresariais, nomeadamente no segmento farmacêutico. Este mercado é “muito regulado e há necessidade de existência de entidades externas à empresa para a produção de grandes volumes de documentos, com regras muito estritas”, diz Carlos. “O que fazemos é transformar o caos num conjunto sequencial de passos automáticos e que permite que tanto o processo como o resultado final estejam de acordo com os ‘standards’ internacionais.”

PÚBLICO -
Foto
Carlos Boto, Federico Cismondi e Paulo Melo estão na casa dos 30 anos DR

A Techstars é uma aceleradora de “start-ups” que se dedica a captar empreendedores com ideias de negócio tecnológico. É uma entidade privada com fins lucrativos e tem 18 programas de aceleração em todo o mundo, criando assim uma rede de ferramentas, desenvolvimento, orientação e marketing, não esquecendo o investimento. Os jovens responsáveis pela doDOC vão participar num desses programas, em Boston, nos Estados Unidos, até 1 de Setembro.

Networking em empreendedorismo

Mas entrar na família da Techstars não é, apenas, “fazer o programa de aceleração”, frisa Carlos. “É entrar numa comunidade mundial de empreendedores e conhecer uma rede de mentores e especialistas em desenvolvimento de negócio, tecnológico e de acesso a capital”, enumera. “Podes manter-te num círculo de contactos que potencia a criação de valor para empresas e para toda a comunidade.”

118 mil dólares (perco de 105 mil euros) é quanto a aceleradora investe em cada “start-up”. A este último processo de candidaturas concorreram mais de 1500 projectos, dos quais apenas 13 foram aceites. “A Techstars tem crivos mais restritos do que muitas universidades de topo”, explica o jovem português que, tal como os dois colegas fundadores da doDOC, participou no programa de doutoramento do MIT Portugal, em sistemas de bioengenharia.

Entre o doutoramento e o regresso a Boston, os três participaram na competição Arrisca C, no programa de aceleração INEO-Start do Instituto Pedro Nunes e no Lisbon Challenge, recebendo ainda o apoio do IAPMEI através do Passaporte do Empreendedorismo. “O facto de Portugal ter apostado na nossa formação possibilita-nos isto”, revela. “A evolução do ecossistema do empreendedorismo português aumentou a capacidade dos indivíduos e das empresas. Conseguimos objectivos que, até há alguns anos, eram impossíveis.”

Carlos, Paulo e Federico estão, agora, a centrar-se no desenvolvimento do produto e em contactos com clientes, com o objectivo “de escalar rapidamente” sempre presente. “O desenvolvimento que é feito para o produto não é específico para cada cliente. São identificados padrões dentro da indústria, que depois são usados por múltiplas empresas da área”, esclarece. No site da doDOC é ainda possível experimentar a plataforma em âmbito académico.