A vida de Alberto García-Alix dava um filme. E vai dar

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“Existe um García-Alix desconhecido” mesmo para os que admiram o seu trabalho como fotógrafo DR

Apontar as câmaras para os outros (e algumas, poucas, para si) tem sido a vida do fotógrafo espanhol Alberto García-Alix (León, 1956). Agora, o realizador galego Nicolás Combarro (Corunha, 1979) convenceu o fotógrafo a ser alvo das câmaras num documentário que passará em revista a sua vida e obra.

Para quem como García-Alix passou uma eternidade a lidar com imagem, vê-lo apreensivo e preocupado com a captação deste trabalho não deixa de ser curioso. Na apresentação de La línea de sombra, em Madrid, o fotógrafo sorria matreiramente (para não fazer outra coisa) de cada vez que se falava em prazos, entrevistas, montagem, estreias, passado, presente e futuro. No final perguntamos-lhe “Mas, afinal, está assim tão preocupado?”. “Eu não. Ele [apontando para o realizador] é que devia estar!”

O filme começou a ser rodado este mês em Madrid na casa-estúdio daquele que é um dos fotógrafos espanhóis com maior projecção internacional. Apesar desse reconhecimento “existe um García-Alix desconhecido” para a maioria dos que o admiram, acredita o realizador do filme que será co-produzido pela Morelli, pela TVE, pela Première Heure, e pela La Fabrica entre outras parceiras.

Além de Madrid, haverá rodagens em Paris e numa localidade galega da comarca de Val Miñor. Combarro falou em algo relacionado com motas, outra das grandes paixões de García-Alix, mas não adiantou mais pormenores. Através de conversas com o próprio autor e com um leque alargado de amigos e de pessoas que lhe são caras (Anders Petersen, Miquel Barceló, Blanca Li, Ceseepe, Antoine D’Agata…), o realizador galego, que já trabalha com o fotógrafo desde 2003, espera ser capaz de identificar os principais traços de personalidade, de entrar na intimidade e de compreender o processo criativo do artista leonês. A estreia está prevista para o Outono de 2016, mas o realizador conta poder mostrar uma versão final durante o PHotoEspaña do próximo ano, que será dedicado à fotografia da Europa.

Alberto García-Alix recebeu os mais importantes prémios espanhóis pela sua carreira. Também já foi agraciado pelo Estado francês e este ano foi nomeado para o Deutsche Börse Photography Prize, um dos mais prestigiados prémios de fotografia do mundo. Para além de uma extensa obra em Espanha, de que se destaca o corpo de trabalho dos anos da movida madrilena dos anos 80, García-Alix viveu e trabalhou na França e na China. Expõe regularmente desde 1981 e já publicou uma dúzia de livros de fotografia, bem como ensaios e contos escritos para jornais e revistas.