Enric Vives-Rubio
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Enric Vives-Rubio

Megafone

O clube sólido de râguebi

Uma estrutura consistente não nasce por geração espontânea e necessita de um investimento significativo

O empate em Sevens com a Nova Zelândia em Março de 2015 foi um feito de maior relevância, mas estes exemplos tem apenas acontecido esporadicamente. Outros países possuem exemplos da produção de bom râguebi e em Portugal se conseguirmos inovar com as nossas características próprias teremos hipóteses de nos surpreender e ao mundo.

 

O mais difícil foi no passado, início dos anos 2000, quando a IRB lançou o Circuito Mundial, termos optado por investir nos sevens e hoje temos uma vantagem competitiva que se observa nos resultados que vamos conseguindo e que, apesar de tudo, nos mantêm entre os melhores da Europa. Mas temos que melhorar a nossa competitividade para que nos possamos manter a esse nível europeu e mundial.

PÚBLICO -
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Quadro1

 

O tema deste artigo é sobre as condições para a criação de um clube sólido o qual não nasce por geração espontânea e que necessita de investimento significativo em todos os clubes do campeonato principal, para não dizer de toda a modalidade. Falemos para começar apenas de um campeonato formado por 10 clubes sólidos.

 

Qual o significado de 10 clubes sólidos?

 

O quadro que acompanha o artigo (carregar na imagem “Quadro1” do lado esquerdo para ampliar) apresenta os valores de uma estrutura de trabalho que começa em praticantes de menos de oito anos e se estende a mais sete níveis dos 9-10 anos, 11-12 anos, 13-14 anos, 15-16 anos, 17-18 anos, 19-23 anos e seniores.

 

Considera-se que o clube sólido deve ter duas equipas em todos os escalões, com a excepção dos três escalões dos 15 aos 23 anos que terão apenas uma equipa cada escalão. No total o clube terá 14 equipas em oito escalões etários. Multiplicando o número de equipas por 25 jogadores chega-se a um total de cerca de 350 jogadores por clube e por época desportiva.

 

Estas 14 equipas de 25 jogadores deverão treinar várias vezes por semana, consoante o escalão etário, em períodos de uma a duas horas, sem contar com trabalhos específicos para certos sectores e jogadores.

 

Para que isso seja possível dentro de parâmetros de qualidade de treino é fundamental que esses clubes disponham de um mínimo de dois campos de treino com utilização exclusiva.

 

A gestão desportiva destas equipas vai obrigar à mobilização tanto de treinadores e dirigentes com níveis de formação elevados, como de especialização e experiência do ensino e da competição do râguebi a nível elevado. Outros treinadores e dirigentes poderão ter uma formação e experiência inferiores desde que sabiamente acompanhados pelos elementos sénior e de elevada qualidade.

 

Devem ser indicados dois pontos adicionais. A necessidade de manter dentro do clube a rotação e o movimento dos jogadores considerando a sua formação contínua teórica e prática em períodos de tempo relativamente longos para permitir a evolução do saber e do domínio e da evolução dos conhecimentos para alcançarem os níveis de excelência exigidos pelos alto rendimento europeu e mundial em XV e sevens.

 

À federação, que deve ter uma acção de liderança no desenvolvimento, cabe um papel fundamental na criação de modelos de produção do râguebi nacional que estenda características como as aqui delineadas às restantes equipas da primeira divisão, o que exige um investimento significativo privado e público a fim de sustentar o desenvolvimento óptimo de cada jogador, de cada equipa, de cada campeonato em conjunto com todos os outros, jogadores, equipas e campeonatos.

 

O processo é complexo, multiforme e dinâmico exigindo meios humanos de qualidade nem sempre disponíveis em Portugal e por isso a contratação de jogadores e técnicos estrangeiros deve ser um factor de ponderação adequada ao nível de excelência que se pretenda alcançar.