Deutsche Bank investigado no dia em que o HSBC anuncia despedimentos

Investigadores analisam transacções de clientes do banco germânico relacionadas com produtos financeiros derivados.

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O Deutsche Bank, que no fim de semana passado anunciou uma mudança de fundo na liderança para acalmar os investidores, recebeu esta terça-feira a visita de investigadores judiciais que foram analisar transacções suspeitas de clientes relacionadas com produtos financeiros derivados.

A operação foi lançada pela procuradoria de Wiesbaden, que confirmou oficialmente as buscas na sede do banco em Frankfurt, mas não revelou os motivos da investigação. O gabinete de comunicação da instituição confirmou a presença de investigadores na sua sede, mas garantiu que nenhum funcionário do Deutsche Bank foi acusado de qualquer irregularidade.

Pouco depois de ser conhecida a presença de polícias na sede do maior banco germânico, circulou a informação de que as operações suspeitas estariam concentradas no banco de gestão de fortunas Sal. Oppenheim, que o Deutsche Bank tinha comprado há cerca de cinco anos, mas os rumores foram desmentidos pela instituição financeira.

As dificuldades do banco alemão com a justiça parecem não ter fim. O Deutsche Bank tem investigações em curso relacionadas com o colapso do império de comunicação Kirch, lembra a agência Reuters. E está também sob investigação de autoridades externas noutras matérias relacionadas com a sua actividade. Em Abril, a instituição aceitou pagar 2500 milhões de euros de penalizações relacionadas com manipulação dos indexantes do crédito bancário (Libor e Euribor).

As investigações judiciais são uma das provas de fogo que o novo presidente executivo (CEO) do banco, John Cryan, irá enfrentar. Cryan, que era o responsável financeiro da UBS, irá substituir os actuais dois co-CEO, Anshu Jain e Jurgen Fitschen. O primeiro deixa funções já no final do mês e o segundo no próximo ano.

Os dois responsáveis estavam sob fogo cerrado de críticas de investidores, que viram os níveis de rentabilidade caírem, ao mesmo tempo que iam sendo descobertos novos problemas na estrutura do banco. O plano estratégico que a dupla apresentou recentemente não foi suficiente desvanecer as nuvens no horizonte da instituição.

HSBC despede

Pouco antes de vieram a lume as notícias sobre o Deutsche Bank, o britânico HSBC anunciava um plano de corte de custos que implica a dispensa de cerca de 25 mil trabalhadores. O quadro laboral do banco emagrecerá ainda por via da alienação das operações no Brasil e na Turquia, que está nos planos da direcção da instituição. As unidades brasileira e turca respondem também perante 25 mil colaboradores.

O plano anunciado pelo presidente executivo Stuart Gulliver tem como objectivo conduzir o banco a níveis de rentabilidade mais elevados, algo que que estava na sua carta de intenções quando assumiu o cargo em 2011, mas que ainda não conseguiu garantir. As mudanças a operar, que implicarão um desinvestimento que cortará cerca de 290 mil milhões de dólares aos activos do banco, visam reduzir em 5000 milhões de dólares por ano os custos da instituição.

Um dos pontos centrais da nova estratégia é a aposta crescente na automatização operacional, no reforço do backoffice do banco e na crescente utilização de novas tecnologias. Em consequência disso, o banco irá fechar cerca de 700 das 5800 agências de que dispõe actualmente.

“Reduzir o pessoal não é, necessariamente, a solução, se a administração não tornar o banco menos complexo”, defendeu James Antos, analista do banco Mizuho, citado pela agência Reuters.