Um concurso para robôs com o desastre de Fukushima no horizonte

A equipa do projecto vencedor arrecadou um prémio de dois milhões de dólares.

Durante dois dias, robôs de seis países foram os protagonistas de um concurso que testa as capacidades de intervenção robótica em cenários de crise. Como o da central nuclear de Fukushima.

O vencedor do concurso de robótica, que decorre na Califórnia, EUA, foi o robô HUBO, construído por uma equipa de cientistas sul-coreanos. Os autores do projecto são recompensados com um prémio de dois milhões de dólares. O projecto que ficou em segundo lugar recebe um milhão de dólares e o terceiro 500 mil dólares.

O concurso é organizado pela Agência Avançada de Projectos de Pesquisa em Defesa (DARPA), que pertence ao Departamento de Defesa dos Estados Unidos.

“O Exército americano tem a missão implícita de estar à altura de responder aos desastres humanitários. Para isso precisamos de ferramentas que nos permitam fazê-lo de forma eficaz”, explicou à AFP um dos responsáveis do DARPA, Brad Tousley. “Em inúmeros casos, gostaríamos de enviar robôs a locais perigosos para os humanos”, sublinha, citando os reactores nucleares mas também cenários assolados por sismos ou epidemias como o Ébola.

A final contou com 24 robôs, alguns deles de morfologia humanóide como o vencedor, acompanhados pelas suas equipas. Doze eram norte-americanas, mas o concurso contou também com cinco equipas do Japão, três da Coreia do Sul, duas da Alemanha, uma italiana e outra de Hong Kong.

Corrida de obstáculos para robôs

Durante os dois dias do concurso, cada robô teve duas oportunidades para ultrapassar uma corrida de obstáculos composta por oito missões aparentemente simples: conduzir, passar uma porta, abrir uma válvula, atravessar sobre uma zona de escombros ou subir e descer escadas foram algumas delas.

As provas foram pensadas tendo em mente o cenário de Fukushima, palco de um dos mais recentes desastres nucleares a nível mundial. “Se os japoneses tivessem tido sistemas de robótica avançada à sua disposição, poderia ter sido evitada uma parte dos danos provocados pelas explosões de hidrogénio”, garante Tousley.

No entanto, os cenários de crise não são o último objectivo das equipas que trabalham nesta área. “No fim de contas, esperamos que a tecnologia revelada aqui seja utilizado nas nossas vidas quotidianas, desde a ajuda doméstica aos idosos à agricultura, passando pela construção”, afirma Maurice Fallon do Massachusetts Institute of Technology (MIT). “As aplicações em redor deste domínio são muito vastas.”

Assistir à competição de robôs, contudo, não é particularmente espetacular: a maior parte demora cerca de cinco minutos para abrir uma porta e muitos deles nem conseguem sair do carro. Jaxon, concebido por uma equipa da Universidade de Tóquio, não é a única máquina a cair durante o percurso de obstáculos, mas teve de ser transportado para fora da competição numa maca.

“Há ainda muito a fazer”, admite Tousley. “Existe a realidade e a ficção, e a ficção passa por dizer que os robôs são capazes de fazer muito mais do que aquilo que conseguem na realidade”, assegura.