Filipe Sousa eleito presidente do Juntos pelo Povo

Nuno Moreira foi apresentado neste sábado, no primeiro Congresso Nacional do partido, como candidato às legislativas por Lisboa.

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O partido foi a grande surpresa das eleições regionais da Madeira deste ano DR

O momento era de festa, mas Filipe Sousa era neste sábado um homem apreensivo. Recém-eleito presidente do Juntos Pelo Povo (JPP), no primeiro Congresso Nacional do partido, cuja constituição foi formalizada no início deste ano, abanava a cabeça.

 “Sempre fui contra isto [constituição de um partido], tenho medo das lógicas partidárias”, admitiu ao PÚBLICO o líder daquele que é o 21.º partido português. "[Mas] nós queremos crescer e a Constituição limita os movimentos de cidadãos, apenas permitindo que concorram a eleições autárquicas".

“Há também a questão do financiamento dos partidos, nós como movimento não teríamos qualquer apoio e seria difícil fazer uma campanha mais alargada na Madeira e no resto do país”, acrescentou. Este sábado, o JPP realizou o primeiro Congresso. Filipe Sousa foi eleito presidente e o irmão, Élvio Sousa, escolhido para secretário-geral. No discurso de encerramento, o presidente olhou para o grupo parlamentar do JPP e lembrou: “Hoje legitimámos os órgãos do partido mas não podemos nunca perder os valores que estiveram na base deste movimento”.

“Não podemos, nem queremos ser mais do mesmo mas sim um partido diferente”, concluiu, antes de apresentar o cabeça-de-lista por Lisboa, Nuno Moreira. Natural de Lisboa, com formação em Conservação e Restauro, Nuno Moreira, 41 anos, trabalha na Fundação ‘O Século’. “É um grande desafio, uma missão difícil para um partido pequeno e novo como o nosso mas, se olharmos para os resultados que conseguimos nas várias eleições, sabemos que isso não nos vai limitar”.

O JPP já iniciou contactos no Porto, Açores, Coimbra, Aveiro, Europa e fora da Europa. “A lei obriga-nos a concorrer em pelo menos 50% dos círculos eleitorais”, explicou Filipe Sousa. Mas, afirmou, o grande objetivo é a Madeira. “Temos condições para eleger um deputado, e é essa a nossa meta.”

O partido foi a grande surpresa das eleições regionais deste ano, recolhendo mais de 13 mil votos. Elegeu cinco deputados, menos um do que o PS que concorreu em coligação, e menos dois do que o CDS-PP. Na prática, tem na Assembleia Regional da Madeira o mesmo peso que os socialistas, pois um dos deputados eleitos pela coligação Mudança, liderada pelo PS, é José Manuel Coelho, do PTP.

O Movimento de Cidadãos surgiu na Freguesia de Gaula, concelho de Santa Cruz, o segundo mais populoso da Madeira, a seguir ao Funchal. Nas autárquicas de 2009 conquistou a junta de freguesia de Gaula e ficou em segundo nas contas globais do concelho. Na altura, ficaram conhecidos com os ‘loucos gauleses’, numa referência à banda desenhada de Astérix e Obélix.

Mas quatro anos depois saíram da ‘aldeia’ e destronaram o PSD da câmara municipal. Com Filipe Sousa a assumir a presidência, começaram a cimentar a base eleitoral que viria a ser fundamental para o resultado alcançado nas regionais de Março passado.

Élvio Sousa é o presidente do grupo parlamentar que estabeleceu como prioridades a reforma do sistema político regional, a alteração do modelo de imunidade parlamentar, as questões sociais e a investigação profunda às contas dos 40 anos de governação PSD.

Os restantes partidos, principalmente o PS que viu fugir eleitorado para o JPP, olham com desconfiança para este movimento transformado em partido. A principal crítica é a falta de uma linha ideológica clara. Filipe Sousa reconhece que não há no JPP uma orientação definida. Ele é um dos poucos que já foi militante partidário – esteve filiado no PS até 2007 -, no resto há simpatizantes da extrema-esquerda e pessoas que se identificavam com o CDS. “Todos são bem-vindos, não discriminamos ninguém”, garante.

“Não se ganham eleições com ideologias mas com trabalho, e é isso que nós temos feito sempre olhando para as questões sociais”, sublinha o presidente do JPP. Também o secretário-geral admite dificuldades em posicionar o partido no espectro político nacional. “O JPP é difícil de definir porque nasceu de um movimento criado por necessidade da população.” O Congresso deste sábado serviu para eleger os órgãos do partido mas ainda falta muito trabalho burocrático pela frente. O número de militantes anda à volta dos mil. “Talvez mais, talvez menos, ainda estamos a trabalhar na informatização”, explica Filipe Sousa.