João Rendeiro absolvido da acusação de burla qualificada no BPP

Restantes arguidos também foram absolvidos. Rendeiro diz que o seu pensamento vai para os clientes do BPP.

João Rendeiro à saída das Varas Criminais em Lisboa, onde está a ser julgado com dois outros arguidos
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João Rendeiro liderou o BPP enric vives-rubio

João Rendeiro e restantes arguidos do caso Banco Privado Português (BPP), Salvador Fezas Vital e Paulo Guichard, foram esta sexta-feira absolvidos da acusação de burla qualificada. Em comunicado, João Rendeiro fez saber que, "neste momento de satisfação", o seu pensamento "vai para os clientes do BPP" que, diz, "felizmente, em mais de 90 % dos casos já receberam a totalidade dos seus patrimónios". Além disso, afirmou ainda que o Estado "tem coberto o seu crédito de 450 milhões na massa insolvente do BPP. “. A decisão do tribunal, destaca Rendeiro no mesmo comunicado, "prova que a justiça se faz nos Tribunais e não na comunicação social". “Desejo naturalmente congratular-me e agradecer a todos os que me têm apoiado nestes tempos difíceis, à minha mulher, aos meus amigos e aos meus advogados", remata o banqueiro, que não esteve presente na leitura do acordão.

A leitura do acórdão do processo Privado Financeiras, um veículo do BPP, começou pelas 15h20 nas Varas Criminais de Lisboa, contando com a presença de Salvador Fezas Vital. Além de Rendeiro, também Paulo Guichard esteve ausente da sessão.

A ausência do antigo presidente do Banco Privado Português (BPP), João Rendeiro, no tribunal para conhecer a leitura do acórdão do processo Privado Financeiras, já tinha sido noticiada, sendo novidade a ausência de Paulo Guichard. João Rendeiro, Paulo Guichard e Salvador Fezas Vital estavam acusados pelo Ministério Público, em co-autoria, de burla qualificada, crime com uma moldura penal de dois a oito anos de prisão.

Neste julgamento, que decorreu na Instância Central de Lisboa, 1.ª secção criminal, esteve em causa uma operação de aumento de capital de um veículo de investimento denominado Privado Financeiras.
Os três ex-administradores do BPP eram acusados por terem atraído accionistas para um aumento de capital deste veículo quando sabiam que já estava falido.

Perante o tribunal, os clientes afirmaram, em geral, que estavam cientes do risco de perda total do capital aplicado neste produto, mas garantiram que foram enganados quanto à operação de aumento de capital da Privado Financeiras.

Os investidores explicaram que foram persuadidos a contrair empréstimos com penhor das contas junto do BPP para participar na operação proposta pelos seus gestores de conta, sem imaginar que parte da verba captada foi usada para abater créditos da própria Privado Financeiras junto da banca, nomeadamente, do JP Morgan (200 milhões de euros) e do próprio BPP (50 milhões de euros).

Os diversos investidores deste veículo do universo BPP alegam que foram lesados numa verba global superior 40 milhões de euros. Este é apenas um dos vários processos criminais e contra-ordenacionais que estão em curso no âmbito do chamado caso BPP.