Crítica

O maravilhoso embevecido

Um filme que procura o “maravilhoso”, também no sentido “humanista” da expressão, mas cedo se maravilha é consigo próprio.

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Aquele equilíbrio dos seus filmes de animação (Os Incríveis e Ratatouille), subtil e perfeitamente doseado, entre um registo “para todos” e uma gravidade poética subjacente, ainda não é desta que Brad Bird o consegue replicar num filme de “acção real”.


Procura o “maravilhoso”, também no sentido “humanista” da expressão, mas cedo se maravilha é consigo próprio, com os seus meios e os seus truques, sem nunca conseguir sacudir a poeira spielberguiana – aquele estado de embevecimento adolescente e auto-complacente – da sua superfície. Perde-se o interesse muito rapidamente, a partir do momento em que se percebe que o apregoado “blockbuster humanista” é ainda, afinal, uma máquina a funcionar sozinha.