Costa acusa coligação de “falta de coragem” para assumir solução para a Segurança Social

"Eu não aceito, nenhum de nós pode aceitar, ser colocado na situação de escolher entre o futuro dos meus filhos e o presente da minha mãe", defendeu o socialista, sobre a questão da sustentabilidade da Segurança Social.

António Costa pretende ser presidente da AML
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António Costa pretende ser presidente da AML Enric Vives-Rubio

O líder do PS, António Costa, acusou o Governo de falta de "coragem" para assumir "preto no branco" o que quer fazer em relação à Segurança Social e defendeu que a sua sustentabilidade passa pela aposta na economia.

Neste sábado, ao discursar no final de umas jornadas dedicadas à promoção do emprego em Braga, António Costa afirmou que, quando a ministra das Finanças admitiu cortes nas pensões, falou com "sinceridade" sobre a intenção do programa de Governo da coligação PSD/CDS-PP.

"Depois de terem passado uma semana numa tentativa bastante atabalhoada de explicar aquilo que não precisava de nenhuma explicação porque era claríssimo, ao fim de uma semana o que vêm dizer é que desistiram de pôr no programa de Governo deles a solução para a Segurança Social porque não têm coragem de escrever preto no branco aquilo que realmente querem fazer na Segurança Social", acusou António Costa que respondia assim a declarações do líder do PSD em Bragança.

O primeiro-ministro Pedro Passos Coelho disse que o programa eleitoral da coligação não deverá conter uma solução "muito definida" para as pensões para não comprometer um futuro entendimento com o PS sobre a reforma da Segurança Social.

Para António Costa, a ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque foi a única que revelou a intenção do actual Governo.

"Foi mesmo a única que falou com sinceridade sobre o verdadeiro programa da coligação de direita", apontou, depois das declarações da ministra, mais tarde explicadas como sendo uma "gafe", contextualizou Costa.

Segundo o líder do PS, o Governo "procura fazer algo terrível" à sociedade portuguesa ao "olhar para a questão da sustentabilidade da Segurança Social como sendo uma guerra entre gerações" porque, disse, dividir a sociedade portuguesa em gerações é "dividir as famílias".

"Eu não aceito, nenhum de nós pode aceitar, ser colocado na situação de escolher entre o futuro dos meus filhos e o presente da minha mãe", explicou.

Já sobre o programa de Governo do PS, o secretário-geral socialista garantiu que é transparente.

"Quando na próxima semana nos reunirmos em convenção nacional e aprovarmos um programa do Governo esse é um programa do Governo que os portugueses conhecem e é mesmo o que queremos fazer e não teremos nada na manga nem escondido", assegurou.