Dalai Lama critica Suu Kyi por não defender a minoria rohingya

"Ela disse-me que previa dificuldades, que as coisas não eram simples, que eram muito complicadas. Mas penso que ela pode fazer alguma coisa".

Suu Kyi lutou tod a avida pelos direitos humanos e políticos
Foto
Suu Kyi lutou tod a avida pelos direitos humanos e políticos SOE THAN WIN/AFP

O Dalai Lama pediu à Nobel da Paz birmanesa, Aung San Suu Kyi, para acabar com o seu silêncio e agir em defesa da minoria muçulmana rohingya.

Suu Kyi ainda não fez qualquer comentário sobre a crise dos migrantes no Sudeste asiático, onde milhares de rohingya que fogem da perseguição na Birmânia e cidadãos do Bangladesh que tentam escapar à pobreza são abandonados no mar pelos traficantes de seres humanos.

Nesta semana, as autoridades da Malásia anunciaram a descoberta de centenas de corpos em valas comuns em campos de tráfico encerrados recentemente; as autoridades crêem que são corpos de migrantes rohingya e do Bangladesh.

Alguns explicam este silêncio de Suu Kyi com o aproximar das eleições legislativas na Birmânia, no fim deste ano, e dizem que ela se abstém de dar uma opinião em público num momento em que há uma forte corrente nacionalista budista e anti-muçulmana, no país.

O chefe espiritual tibetano, no exílio desde 2008, estimou que Suu Kyi deve falar no assunto e disse que falou nisso à Nobel da Paz já por duas vezes, uma delas depois dos violentos motins anti-mmuçulmanos na Birmânia em 2012.

"É triste. No caso da Birmânia, espero que Aung San Suu Kyi, enquanto Prémio Nobel da Paz, possa fazer alguma coisa", disse o Dalai Lama ao jornal The Australian. O líder espiritual budista estará na Austrália na semana que vem.

"Eu encontrei-me com ela duas vezes, a primeira em Londres e depois na República Checa. Mencionei o problema e ela disse-me que previa dificuldades, que as coisas não eram simples, que eram muito complicadas". "Mas apesar de tudo isso, penso que ela pode fazer alguma coisa", acrescentou o Dalai Lama.

A minoria sem pátria rohingya, estimada em 1,3 milhões de pessoas na Birmânia, não tem acesso às escolas, aos hospitais ou ao mercado de trabalho. São considerados imigrantes do Bangladesh, mesmo aqueles cujas famílias se instalaram na Birmânia há muitas gerações. São, segundo a ONU, uma das minorias mais perseguidas do mundo.

"Há qualquer coisa que choca na forma de pensar da humanidade. Falta-nos compaixão pelos outros, pela vida deles, pelo seu bem estar", disse o Dalai Lama, também ele um Nobel da Paz.