Móveis de apelido Olaio

Quarto Modelo Oceano, do designer José Espinho (1970-1971)
Quarto Modelo Oceano, do designer José Espinho (1970-1971)
Desenhos para mobiliário comercial
Desenhos para mobiliário comercial
O bar do Grande Hotel da Figueira
O bar do Grande Hotel da Figueira
Decoração Olaio para o Hotel Maria Luisa Tody, em Setúbal
Decoração Olaio para o Hotel Maria Luisa Tody, em Setúbal
Casino do Estoril
Casino do Estoril
Hotel Ritz
Hotel Ritz
Hotel Tivoli
Hotel Tivoli
Desenho para mesa de apoio
Desenho para mesa de apoio
Proposta para sala de estar
Proposta para sala de estar
Ambiente de escritório
Ambiente de escritório
Mesa Modelo Brasil e "fauteuils" do modelo Forma (1959)
Mesa Modelo Brasil e "fauteuils" do modelo Forma (1959)
Mesa modelo Finlândia
Mesa modelo Finlândia
De fácil montagem: "fauteuill"
De fácil montagem: "fauteuill"
Cadeira Caravela
Cadeira Caravela
Inspiração escandinava no mobiliário Interlübke (1980)
Inspiração escandinava no mobiliário Interlübke (1980)
Modelo de quarto, desenho de José Espinho
Modelo de quarto, desenho de José Espinho
Mobiliário metálico na marquise do Palácio Nacional de Cascais
Mobiliário metálico na marquise do Palácio Nacional de Cascais
Desenhos para mobiliário metálico
Desenhos para mobiliário metálico
Desenhos para mobiliário metálico
Desenhos para mobiliário metálico
Linha de mobiliário escolar
Linha de mobiliário escolar
Fotogaleria

A história pode começar com dois caixotes. Em 1860, José Olaio, um jovem marceneiro, compra dois caixotes de madeira da Casa Havanesa, forra-os com folha de raiz de mogno e apresenta-os como duas mesas de cabeceira. Este é só um episódio ilustrativo da motivação que levou à abertura de uma loja de móveis, seis anos mais tarde, na Rua da Atalaia, em Lisboa. Em 1918, em sociedade com o seu filho Tomáz José Olaio, a José Olaio & Cª (Filho) instala, ainda em pleno Bairro Alto, uma oficina de marcenaria.

Começa aqui a desenhar-se a modernidade que estruturou esta empresa. A localização, no centro da capital, não terá sido indiferente para definir a sua centralidade; apoiada numa estrutura mais cultural e servindo uma clientela transversal que chegou ao próprio Estado português. A década de 30, já sem o seu fundador, foi suficientemente produtiva para que a Olaio se estendesse para uma oficina na Penitenciária de Lisboa e mais tarde abrisse a unidade fabril em Loures, respondendo a encomendas que já não eram só para o ambiente doméstico como também para vários espaços públicos: escolas, universidades, ministérios, pousadas, hospitais, repartições públicas, chegando mesmo ao Parlamento e à Sala do Governo da Assembleia Nacional, com mobiliário desenhado pelo arquitecto Raul Lino (1879-1974). Também Leal da Câmara (1876-1948), caricaturista republicano, tinha já desenhado algum mobiliário, e mais tarde, outro artista gráfico, Thomaz de Mello (1906-1990), projecta uma linha de mobiliário infantil. Foi na década de 50 (e até aos anos 70) que a Olaio integrou na sua equipa técnica permanente o designer José Espinho (1916-1973). Responsável pela gradual introdução de novos modelos, Espinho orientava o desenho segundo as linhas da produção em série. O mobiliário, inspirado pelo modernismo escandinavo, surge com formas mais depuradas, sem ornamentações, com um carácter acentuadamente funcionalista, em que o uso dos derivados de madeira e a nova maquinaria permitem responder eficazmente às exigências da procura. É nesta altura que a Olaio equipa hotéis como o Ritz, o Tivoli, Estoril-Sol, teatros como o Monumental, o Éden, Capitólio e os cafés Império, Mexicana, entre muitos outros. O impulso do turismo na década de 60 e 70 do século passado fez da hotelaria um dos grandes clientes da Olaio, que não só fornecia equipamento, como prestava o serviço na área da decoração.

A Olaio enquanto empresa familiar conseguiu, durante bastante tempo, criar uma referência no panorama nacional e deixar um património industrial erguido em Loures. A Fábrica de Móveis Olaio fechou as portas em 1998, já depois de ter saído das mãos da família Olaio (1987). É este património que agora aparece exposto na exposição Móveis Olaio. Produção, Inovação e Qualidade, quase permanente (até Dezembro de 2016), organizada pela Câmara Municipal de Loures, no Museu de Cerâmica de Sacavém, que enquanto Museu Industrial comemora o Ano Europeu do Património Industrial e Técnico (2015). A maioria das peças expostas pertence a particulares e ainda se encontra a uso — prova da sua resistência ao tempo. Para além de mobiliário, mostram-se desenhos que fazem parte do espólio familiar, imagens e testemunhos orais de antigos trabalhadores. 

A exposição pode ser vista de terça a domingo (das 10h às 13h e das 14h às 18h) no Museu de Cerâmica de Sacavém, Praça Manuel Joaquim Afonso