Astérix volta à animação, com vozes portuguesas e agora em 3D

A dupla de gauleses mais famosa de sempre está de volta aos grandes ecrãs, numa divertida comédia que estreou esta quinta-feira em Portugal e conta com conhecidas vozes portuguesas do mundo da televisão e da animação.

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Astérix: O Domínio dos Deuses
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Júlio César

Não é a primeira vez que os actores e humoristas Manuel Marques e Eduardo Madeira trabalham juntos. Mas esta terá sido uma das vezes em que houve mais diversão. São eles que fazem a dobragem em português das vozes dos protagonistas do filme Astérix: O Domínio dos Deuses, baseado na banda desenhada de Albert Uderzo e René Goscinny e realizado em animação 3D por Louis Clichy (que trabalhou no estúdio da Pixar) e adaptado pelo argumentista Alexandre Astier.

O filme, que se estreou nos cinemas portugueses esta quinta-feira, teve o acompanhamento de um dos criadores originais da banda desenhada, Uderzo, agora com 88 anos.

A voz de Astérix, o pequeno guerreiro de espírito sagaz e inteligência viva, na versão do filme dobrada em português é de Manuel Marques. O actor contou ao PÚBLICO durante a apresentação do filme à imprensa, que decorreu no Castelo de São Jorge, em Lisboa, que se “identificou muito com a personagem”, por ser o mais ”cerebral e perfeitinho”, em comparação com Obélix, interpretado pelo seu colega e amigo Eduardo Madeira. Mas disse também que embora se identifique com a personagem que interpretou, gosta muito de Obélix, porque é essa personagem quem “o faz rir verdadeiramente”, desde que começou a ler os livros da dupla.

“Num dos livros, Obélix apaixona-se por uma rapariga. Em vez de lhe oferecer flores oferece-lhe um menir, é um tonto.” Para o actor fazia todo o sentido trabalhar com Eduardo Madeira, já que são “uma dupla”: trabalham muito em conjunto. “Na vida real, também somos um bocado o Astérix e Obélix”, afirma o actor ao PÚBLICO.

Gaulês de grande porte, carregador de menires de profissão, grande apreciador de javalis e de cenas de pancadaria, Obélix “tem aquele lado trapalhão e bonacheirão”, que Eduardo Madeira tanto gosta. O comediante disse ao PÚBLICO que Astérix e Obélix são os heróis da sua infância, o que o incentivou a aceitar de imediato este trabalho, até porque iria mais uma vez fazer dupla com Manuel Marques. “Achei que o casting estava perfeito, encaixa muito bem fisicamente e como dupla” – brinca o actor. Para a interpretação do personagem, contou com a ajuda do director de dobragens José Jorge Duarte que “direccionou um pouco a representação” e em jeito de brincadeira lhe dizia: “Tens de ser mais gordo a falar!”.

Também Luís Lucas faz parte do elenco que fez as dobragens. Interpreta no filme o vilão Júlio César. O actor é fã das aventuras de Astérix adaptadas ao cinema, mas nunca foi muito admirador dos livros de banda-desenhada. Conta que não teve dificuldades em representar esta personagem e inspirou-se na voz de Júlio César no filme original. “Facilita encontrar o tom e timbre a partir do original. Não para fazer igual, mas aproximado”, conta o actor.

A personagem Decanonix, aos 93 anos, é “um tipo cheio de garra, batalhador e com espírito de gaulês” como explica o actor, locutor e imitador de vozes Bruno Ferreira. É dele a sua voz. “Inspirei-me na minha avó. Interpreto a personagem mais antiga daquela aldeia gaulesa. Tem 93 anos. Decanonix é bastante mais novo do que a minha avó que tem 101 anos. O trabalho de actor tem um pouco esta componente, vamos buscar inspiração - para tentar ser o mais credível possível - a um conjunto de fontes enorme. E neste caso senti que fazia sentido, e até certa forma se aproximava do original.”

Editado por Isabel Coutinho