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Zuma garante que não haverá mais deportações forçadas da África do Sul

Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, disse que aguarda o resultado das investigações à violência xenófoba de Abril.

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“De um modo geral os sul-africanos não são xenófobos", disse Jacob Zuma Howard Burditt/Reuters

O Presidente sul-africano, Jacob Zuma, garantiu em Maputo o fim das deportações forçadas, quer de moçambicanos quer de cidadãos de outros países, e garantiu que as autoridades estão atentas para “evitar a ocorrência de novos focos de violência”.

“De um modo geral os sul-africanos não são xenófobos: sabem que, durante muitas décadas, nós vivemos e trabalhámos juntos com o povo de Moçambique, Malawi e Zimbabwe, contra o regime de segregação racial”, disse, num jantar que lhe foi oferecido pelo Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, quarta-feira, no final do primeiro de dois dias de uma visita a Moçambique.

Nyusi apelou à responsabilização dos autores da onda de violência contra estrangeiros ocorrida em Abril. “O povo moçambicano aguarda, com muito interesse, o resultado das investigações que as autoridades sul-africanas estão a realizar”, afirmou, citado pela agência AIM.

A promessa de acabar com as deportações foi, segundo a agência moçambicana, feita por Zuma num encontro com Nyusi, no qual pediu desculpas pela violência xenófoba. E repetida, de acordo com a AFP, pela ministra dos Negócios Estrangeiros, Maite Nkoana-Mashabane, num encontro com a imprensa em que também participou o homólogo moçambicano, Oldemiro Balói.  “Não haverá mais repatriamentos forçados de moçambicanos  ou de qualquer outro cidadão estrangeiro.”

Na semana passada, 947 moçambicanos foram detidos numa operação policial e quase metade foram imediatamente deportados.

Oldemiro Balói, que há dias admitira o momento “menos bom” da visita de Zuma, disse que foi dada “uma explicação sobre o que aconteceu e o que está sendo feito para prevenir futuras ocorrências”. “Constatou-se que há necessidade de haver maior comunicação entre nós, de modo a que estes processos decorram com a menor perturbação possível.”

Na África do Sul vivem, segundo a diplomacia de Maputo, mais de dois milhões de moçambicanos.

Ainda que tivesse sido criada a expectativa de que da visita resultasse um reforço da cooperação e dos negócios – eventualmente do aumento das vendas de energia à África do Sul – as informações divulgadas até ao início da tarde desta quinta-feira não o confirmavam.

A África do Sul é um importante parceiro comercial de Moçambique e um dos maiores investidores estrangeiros. No jantar de quarta-feira, Nyusi disse que há espaço para o reforço desse investimento. “Moçambique possui terra arável, recursos hídricos e energéticos em abundância. O potencial hidroeléctrico, carvão e gás natural e energias renováveis permitem-nos garantir a segurança energética para os dois países.”

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