Três lições de teatro de Peter Stein – e outras notícias do Festival de Almada

Katie Mitchell, Matthias Langhoff e Luís Miguel Cintra são outros dos destaques da 32.ª edição do festival.

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Peter Stein regressa a Almada para trazer o primeiro Harold Pinter da sua vida e orientar a segunda edição do programa O Sentido dos Mestres Pedro Cunha/Arquivo

Foi a figura do Festival de Almada há dois anos, quando desembarcou em Portugal para aqui apresentar O Prémio Martin, de Labiche, e A Última Gravação de Krapp, de Beckett, dois tours-de-force esmagadores (como se já não esmagasse a sua biografia: filho de um industrial alemão condenado por colaboracionismo com o regime nazi, tornou-se um esquerdista radical e liderou, nos seus anos mais inflamados, a mítica Schaubühne am Lehniner Platz, experiência verdadeiramente colectiva que se tornou referência do teatro europeu).

De regresso para trazer, a esta 32.ª edição que decorre como habitualmente de 4 a 18 de Julho, a sua primeira visita ao dramaturgo britânico e Nobel da Literatura Harold Pinter, Peter Stein (Berlim, 1937) será também, sucedendo ao português Luís Miguel Cintra, o artista convidado a transmitir e a discutir o seu legado no programa O Sentido dos Mestres, que pela segunda vez decorre paralelamente ao festival. Em três lições (O nascimento do teatro, O texto teatral e O espaço cénico), o encenador fará uma visita guiada aos bastidores do seu processo criativo e de uma obra dividida entre o teatro e a ópera e de que O Regresso a Casa constitui um dos mais recentes capítulos. O espectáculo, que Stein queria trabalhar desde que assistiu à estreia londrina do texto, há 50 anos, mostra-se no Teatro Nacional D. Maria II dias 11 e 12, numa produção do Teatro Metastasio Stabile della Toscana.

Além de Stein, outros casos exemplares do teatro europeu passarão este ano por Almada: alguns pela primeira vez, como a britânica Katie Mitchell, que co-dirigiu com o cineasta Leo Warner uma versão poderosamente cinematográfica de A Menina Júlia, de Strindberg, justamente para a Schaubühne (Teatro Municipal Joaquim Benite, 13 e 14); outros nem tanto, como Matthias Langhoff, que em Cinema Apolo faz uma espécie de lado B de O Desprezo, de Alberto Moravia, e da sua icónica digestão por Jean-Luc Godard no filme de 1963 com Michel Piccoli e Brigitte Bardot (Centro Cultural de Belém, 17), ou Luís Miguel Cintra, que dirige em Hamlet o primeiro encontro do seu Teatro de Cornucópia com a residente Companhia de Teatro de Almada (Teatro Municipal Joaquim Benite, 5 e 7).