Bio Boards é o projecto do jovem Ricardo Marques Paulo Pimenta
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Bio Boards é o projecto do jovem Ricardo Marques Paulo Pimenta

Há 15 novos inquilinos na escola de startup do UPTEC

Jogos, aplicações, arquitectura, agricultura urbana ou produtos com materiais recicláveis estão entre os novos projectos em pré-incubação no Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto

Estão em fases diversas, mas andam à procura do mesmo, apoio para crescer, os quinze novos projectos admitidos na escola de startup do Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto, o UPTEC. Os novos inquilinos de vários espaços deste organismo da UP estão a desenvolver, ou já a produzir, skates de três rodas em cortiça reciclada, equipamentos para produção agrícola em ambiente urbano e soluções tecnológicas que permitem aproveitar a energia desperdiçada para alimentar equipamentos como sensores, e durante seis meses vão tentar ganhar músculo para resistirem às dificuldades dos primeiros tempos de qualquer jovem empresa.

Clara Gonçalves, directora-executiva do UPTEC, admite que, em cinco anos que esta estrutura leva de acolhimento, pré-incubação e incubação de novos projectos, cerca de 70%, de um total de mais de 120, ainda estejam vivos. O que não quer dizer que sobrevivam, dado que meia década é muito pouco em empresas deste tipo, dependentes não apenas da qualidade da inovação, mas também da capacidade de fazer o encontro entre o seu produto (bem ou serviço), e o mercado. Que raramente é nacional, apenas. A responsável pelo parque lembra que a literatura internacional sobre startup aponta para uma taxa de “sobrevivência” de dez por cento.

Isso não assusta os muitos candidatos a desenvolver uma ideia. Clara Gonçalves revela que a dada altura, a Uptec chegou a receber 120 candidaturas em três meses. Com este sistema de duas chamadas anuais, que oferece seis meses em ambiente de pré-incubação, têm sido escolhidos, em média, 23 projectos de cada vez. Desta feita o número foi reduzido para 15 para que cada elemento da equipa do parque – que vai perder um colaborador – possa acompanhar devidamente os projectos de que se torna tutor.

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Os co-fundadores da Healthy Road

Este ano, estes terão de dar ajuda a projectos de vídeo-difusão; de estratégias transmedia para a promoção de artistas; aplicações para surf e agricultura; jogos sociais; reconstituição digital de património; engenharia e design e até lençóis biodegradáveis. Os jovens empresários ou candidatos a tal irão trabalhar na definição do modelo de negócio, identificação de clientes e mercados, melhoria de processos de design e desenvolvimento de produto, compreensão da propriedade intelectual, gestão de equipas, oportunidades de financiamento, aspectos legais e financeiras, vendas e comunicação dos seus projectos empresariais. E recebem apoio de empresas que já estão no UPTEC há algum tempo, e que já passaram pelos problemas que esta fase inicial levanta.

João Ventura, fundador da InanoE, acredita que essa partilha de experiências, que no seu caso acontecerá com a Healthy Road, pode ser muito útil, dado que a InanoE ainda nem sequer desenvolveu uma matriz de negócio. Este projecto, criado por cinco pessoas com formação na área da física, engenharia física e engenharia de materiais pretende desenvolver sistemas que aproveitam energia desperdiçada em electricidade capaz de sustentar o funcionamento, com autonomia, de vários produtos. Uma das suas apostas é a produção de sensores para monitorizar sistemas de abastecimento de água que possam funcionar, e enviar dados, com recurso à energia que o movimento da água produz nas canalizações.

Os seus mentores, os fundadores da Healthy Road, já percorreram uma parte da estrada, e podem ajudar a equipa de João Ventura no desenho do produto, em estratégias de contacto com o mercado e noutros aspectos iniciais a estes primeiros tempos de vida de um potencial negócio. A empresa que está instalada no UPTEC, na Asprela, está a testar e a vender o seu primeiro produto, o sistema Healthy Drive – que monitoriza o estado de saúde, a fadiga, a sonolência, de condutores – no Chile e no Brasil, para onde tem enviado, e continua a enviar equipas comerciais.

Ricardo Marques está noutra onda. A das pranchas de Surf ecológicas, para onde se está a virar, depois de ter começado um projecto de construção de skates em cortiça. A Bio Boards já vende, já alargou o negócio a roupas em materiais ecológicos, mas o seu fundador, que entretanto alargou a equipa a meia dúzia de pessoas, percebe que a rede de contactos e a partilha de experiências do UPTEC, lhe vai ser útil para encontrar um ponto de equilíbrio para o seu projecto. Que, como outros, pode vir a beneficiar, a seguir, de financiamento de capital de risco para fazer face às ondas que ainda terá de dominar, para não “morrer na praia”.