CDS volta a faltar à apresentação da biografia do primeiro-ministro

Os democratas-cristãos ainda não digeriram as revelações de Pedro Passos Coelho relativamente ao momento de maior crise na coligação PSD/CDS-PP – a demissão “irrevogável” de Paulo Portas.

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Biografia de Passos Coelho foi apresentada esta segunda-feira no Porto. Paulo Pimenta

Pela segunda vez consecutiva, o CDS não compareceu na apresentação da biografia de Passos Coelho, que decorreu ao fim da tarde desta segunda-feira, no Palácio da Bolsa, no Porto. Depois de Lisboa, os democratas-cristãos voltaram a ignorar a segunda sessão de apresentação do livro do primeiro-ministro, da autoria de Sofia Aureliano, assessora do grupo parlamentar do PSD. Em Lisboa, a apresentação do livro Somos o que queremos ser (uma biografia autorizada) de Pedro Passos Coelho esteve a cargo de Carlos Moedas, titular da pasta da investigação, ciência e inovação da Comissão Europeia. No Porto, as honras de apresentação couberam a Marco António Costa, vice-presidente e porta-voz do PSD.

Antes e depois da sessão, o PÚBLICO falou com alguns dirigentes e personalidades do CDS, que disseram desconhecer o evento, alegando, por outro lado, não terem sido convidados. Os democratas-cristãos mostram ainda alguma incomodidade com as revelações que constam da biografia lançada há uma semana em Lisboa sobre o momento de maior crise na coligação PSD/CDS-PP – a demissão “irrevogável” de Paulo Portas, revelações que acusaram incómodo entre os centristas, sobretudo numa altura em que os líderes dos dois partidos que sustentam o Governo fecharam a coligação para as legislativas que vão decorrer em Outubro deste ano.

Entre outras coisas, o primeiro-ministro revela que, no dia 2 de Julho, Paulo Portas lhe comunicou a decisão de abandonar o Governo por SMS e não mais lhe atendeu o telemóvel naquele dia. O CDS não gostou e reagiu pela voz de Diogo Feio, que declarou que “era bom também que o livro dissesse de que forma o primeiro-ministro informou Paulo Portas sobre o nome da nova ministra das Finanças”.

Passando ao lado da polémica que o livro gerou entre os dois partidos devido ao facto de conter citações que são atribuídas ao próprio Pedro Passos Coelho, Marco António Costa evidenciou a determinação, o carácter e postura do primeiro-ministro aos longos dos quatro ano que leva de governação e como nota inicial disse: “A vida pública é uma prova de resistência no domínio dos princípios, no domínio das dificuldades, no domínio das privações familiares e no domínio da capacidade de carregarmos aos ombros a responsabilidades das nossas opções e sabermos que a nossa coragem é que marcará a diferença”.

Referindo à história que o livro narra, o porta-voz do PSD considerou tratar-se de uma “história de resistência e de coragem”. Marco António Costa, uma das testemunhas que a autora da obra Sofia Aureliano ouviu, revelou que o livro “ajudará a compreender uma dimensão e uma perspectiva de uma personalidade que não é fácil de se conhecer”. “É fácil relacionarmo-nos com a personalidade, é fácil criarmos empatia com a personalidade, é fácil granjear o nosso respeito por essa personalidade”.

Perante uma sala sem figuras de relevo do PSD, o dirigente social-democrata dissertou sobre a personalidade do chefe do Governo e enalteceu-lhe o “traço da atitude humanista”, um "homem-chave (…) que nunca prescinde da circunstância de ser ele o porta-voz das más notícias ao país e que nunca aceitou, em nenhum momento, esconder-se por detrás de nenhum outro membro do Governo para falar aos portugueses sobre as situações mais difíceis que o país tinha de enfrentar”. E prosseguiu. “Esse homem era o mesmo que em todos os momentos queria saber se o plano de emergência social que ele tinha exigido que fosse colocado como prioridade absoluta do Governo estava a cumprir no terreno a missão para o qual era indispensável o empenho de todo o Governo”.

Sofia Aureliano revelou que o livro surgiu de uma “ideia extremamente ousada, de um devaneio” sobre Pedro Passos Coelho, uma personalidade que disse intrigá-la. Leitora compulsiva de biografias, a assessora do grupo parlamentar lamenta que Portugal não tenha a tradição de outros países onde as biografias, autorizadas ou não, fazem furor. “Falta a Portugal essa tradição”, declarou. “Faltam-nos biografias sobre as pessoas que nos governam”, afirmou, partilhando com a plateia o “desejo secreto” de escrever uma biografia que chegou agora às livrarias. Para a biógrafa, esta obra “só fazia sentido se fosse consentida". “Conhecer a história do primeiro-ministro na primeira pessoa só fazia sentido se fosse autorizada” concluiu.

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