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Miliband assume derrota e deixa liderança dos trabalhistas

O maior partido de oposição no Reino Unido ficará a cargo de Harriet Harman até que os trabalhistas elejam um novo líder.

Ed Miliband foi o terceiro líder partidário a anunciar a sua demissão no Reino Unido num espaço de uma hora
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Ed Miliband foi o terceiro líder partidário a anunciar a sua demissão no Reino Unido num espaço de uma hora Neil Hall/Reuters

Foi a terceira e a maior cabeça a "rolar" após a esmagadora vitória dos conservadores nas eleições britânicas de quinta-feira. Ed Milliband assumiu a responsabilidade pela derrota do Partido Trabalhista e anunciou na manhã desta sexta-feira a sua demissão do cargo de líder do maior partido de oposição no Reino Unido.

Em seu lugar, Harriet Harman, até agora a número dois do partido, assumirá temporariamente a liderança dos trabalhistas, até que um novo líder seja eleito através de eleições primárias. 

"A Grã-Bretanha precisa de um Partido Trabalhista que se possa reconstruir depois desta derrota para que possa ter um Governo que lute pelos trabalhadores uma vez mais", começou por afirmar Ed Miliband, no discurso desta manhã. "Agora é a altura para que outra pessoa assuma a liderança deste partido", acrescentou. 

E, imediatamente depois de anunciar a sua demissão, Ed Miliband reforçou a ideia de que é necessário uma mudança no interior do partido: "O partido precisa de ter um debate aberto e honesto sobre o caminho certo em diante."

Em apenas uma hora, demitiram-se três líderes da oposição. Antes de Miliband, já o haviam anunciado Nick Clegg, dos Liberais Democratas, e Nigel Farage, do partido nacionalista britânico, UKIP. 

As notícias de que Ed Milliband se afastaria do cargo de líder começaram a correr pelos jornais britânicos desde que se começou a tornar evidente que as sondagens estavam erradas e que os conservadores caminhavam em direcção a uma maioria absoluta. Antes de o anunciar, Ed Millaband admitiu a derrota publicamente, através da sua conta no Twitter: “A responsabilidade pelo resultado é apenas minha.”

Esperavam-se as eleições mais disputadas na história do Reino Unido e as sondagens apontavam para um empate entre Partido Conservador de David Cameron, que há cinco anos governa em coligação com os Liberais Democratas, e o Partido Trabalhista de Miliband. As sondagens, sabe-se agora, estavam erradas, e o que esperava Miliband era, afinal de contas, uma das maiores derrotas eleitorais do seu partido.

O Partido Trabalhista não foi apenas incapaz de tirar o poder aos conservadores: com apenas seis lugares para serem atribuídos, os trabalhistas perderam até agora 25 deputados em relação às eleições de 2010. Isto, apesar de a percentagem do voto ter aumentado marginalmente, de 29% em 2010 para os 30,5% que até ao momento foram contados. 

Entre os 25 deputados que perderam o assento no Parlamento de Westminster, destaque para Ed Balls, um dos maiores nomes do Partido Trabalhista, e Jim Murphy, o líder do partido na Escócia, que já anunciou que não abandonará o cargo, apesar da esmagadora vitória do Partido Nacional Escocês.

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