Afinal, Carvalho da Silva não avança para Belém

Há vários dias que o ex-secretário-geral da CGTP ponderava desistir da ideia de uma candidatura presidencial.

Carvalho da Silva diz que a UE deixou cair o objectivo da “harmonização no progresso”
Foto
Carvalho da Silva era um dos fundadores do CDA Nuno Ferreira Santos

Depois de se ter mostrado disponível para uma candidatura à Presidência da República, o antigo secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva, decidiu afinal não avançar para a corrida a Belém.

A notícia foi avançada nesta quinta-feira pela TVI e confirmada pelo PÚBLICO. Na quarta-feira houve uma reunião com o grupo que o apoiava e, segundo a estação televisiva, nessa altura Carvalho da Silva terá comunicado a sua desistência da ideia. O ex-secretrário-geral da CGTP já confirmou a decisão à agência Lusa: "Manifestei disponibilidade mas nunca me inscrevi na corrida, nem me coloquei na linha de partida. Mas isso não vai acontecer, não vai haver uma candidatura minha à Presidência da República.”

O ex-sindicalista negou ainda que a decisão esteja relacionada com falta de apoios, uma vez que, disse, tem recebido mensagens de apoio e incentivo de todo o país e sectores da sociedade. "Tenho tido também muitas pessoas a disponibilizarem-se para preparar uma candidatura minha, mas isso não vai acontecer”, afirmou.

O PÚBLICO sabe que, na quarta-feira, antes dessa reunião, Carvalho da Silva já tinha tomado essa decisão e que, mesmo no fim-de-semana passado, tinha abandonado um encontro desse grupo, anunciando que nos dias seguintes tomaria uma decisão definitiva.

Foram, porém, várias as vezes que Carvalho da Silva se mostrou disponível, em entrevistas, para concorrer a Belém. Em Março, à TVI, o antigo secretário-geral da CGTP Carvalho da Silva dizia que não estava obcecado com uma candidatura presidencial, mas afirmava-se disponível concorrer em 2016.

O sociólogo e coordenador da delegação Centro de Estudos Sociais em Lisboa e do Observatório sobre Crises e Alternativas dizia que poderia avançar, caso o processo de auscultação que estava a fazer revelasse que essa candidatura fazia sentido. “Procurarei não defraudar estas posições e estar disponível”, declarou na altura. E acrescentou: “Não foi agora que despertei para este problema, sempre me pronunciei sobre isto. Não estamos perante uma novidade.”

Na mesma entrevista, defendia que uma candidatura tinha de ser apresentada antes das eleições legislativas e não podia “interferir negativamente” nesse acto eleitoral, devendo ser “uma ajuda para criar alternativa”.

Já antes, em Fevereiro, à Rádio Renascença, o também professor catedrático convidado da universidade Lusófona tinha afirmado o mesmo: que não excluía uma candidatura a Belém se fosse solicitado para “dar um contributo” ao país, mas, repetiu, não vivia “obcecado” pela ideia.

“Essa ideia de corrida não tem sentido. Se me perguntar se não reflicto sobre esse problema e se não me preocupo com uma construção de uma candidatura que possa ajudar a que haja, amanhã, um Presidente da República bem diferente do actual, porque o actual também neste processo da Grécia deu mais um exemplo do que não deve ser um Presidente da República...", disse na altura o sindicalista. E sublinhou: “Se me perguntar se anda empenhado nisso, se discuto, se analiso, sim senhor, procurarei dar o meu contributo à construção.”

Até agora, apesar de vários nomes terem sido avançados como potenciais candidatos, apenas três apresentaram as candidaturas publicamente: o empresário socialista Henrique Neto, o ex-vice-presidente da Câmara Municipal do Porto, Paulo Morais, e o antigo reitor da Universidade de Lisboa, Sampaio da Nóvoa que, embora independente, conta já com o apoio de históricos socialistas como Mário Soares e Jorge Sampaio.