Susana Vera/Reuters
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Susana Vera/Reuters

Erasmus +: há 40 milhões de euros para apoiar projectos focados na juventude

Programa Erasmus+ Juventude em Acção tem mais de 40 milhões de euros para distribuir até 2020 em projectos que valorizem a diversidade geográfica e a inclusão social. Nos primeiros 15 meses já alocou 5,5 milhões de euros. Está a decorrer a Semana Europeia da Juventude

Quem acha que já sabe tudo sobre o Erasmus que atire a primeira pedra — sobretudo no ambiente universitário, não há quem não conheça a possibilidade de passar uma parte da componente académica num outro país, sem que tal prejudique os estudos e, antes pelo contrario, os valorize. Mas não é de nada disso que se fala quando o tema é Erasmus+ Juventude em Acção (Erasmus+JA). Por isso, o melhor é voltar a recolher as pedras e ficar atento ao que se enumera de seguida: até 2020 há cerca de 40 milhões de euros para apoiar projectos focados na juventude e no desporto e que saiam das áreas da formação e da educação formal.

Este programa está em vigor há pouco mais de 15 meses e no passado 30 de Abril terminou a terceira ronda de apresentação de projectos e de candidaturas. Segundo os dados que o P3 conseguiu recolher, daquela verba de 40 milhões já foram alocados 5,5 milhões de euros, que se vão distribuir por cerca de duas centenas de projectos que abrangem todos os distritos nacionais (continente e ilhas) e envolvem mais de 12700 participantes. A próxima ronda para apresentação de candidaturas na área da juventude será a 30 de Outubro — mais uma razão para os interessados se informarem a tempo para prepararem (bem) as candidaturas.

Distribuído por três linhas de acção (mobilidade para jovens e animadores de juventude; reforço das capacidade no domínio da juventude; e suporte à reformas de políticas), as candidaturas podem ser apresentadas a título individual ou inseridas numa organização e os apoios podem ser concedidos entre dois meses a até três anos. Uma das linhas de financiamento mais populares são as do Serviço Voluntário Europeu, que permite a jovens com idades compreendidas entre os 17 e os 30 anos, ter uma experiência numa organizações cujo tema de ação escolhe, a tempo inteiro, por um período máximo de 12 meses, noutro país situado dentro ou fora da União Europeia. A Cruz Vermelha Portuguesa, por exemplo, é uma das organizações que mais voluntários europeus acolhe em Portugal.

Programa inclusivo

O programa Erasmus+ arrancou a 1 de Janeiro de 2014 com o inicio do quadro de apoio comunitário que vai perdurar até 31 de Dezembro de 2020, reunindo os sete programas da UE já existentes no domínio da educação, da formação e da juventude, e com uma dotação orçamental de 14,7 mil milhões de euros. A reorganização administrativa a que foi submetido o programa ditou que as áreas de formação e de educação formal (e que são aquelas que têm garantido mais mobilidade aos jovens portugueses) ficassem a ser geridas numa agência nacional, ao mesmo tempo que, ao lado, surgia um outro organismo mobilizado para apoiar projectos, iniciativas, grupos e organizações que se focassem na temática da juventude e, pela primeira vez, também no desporto.

Os objectivos da Agência Nacional Erasmus+ JA são os de potenciar os projectos dos jovens “criando experiências e oportunidades, promovendo a mobilidade e impulsionando os resultados da aprendizagem”. E a preocupação acrescida que têm vindo a demonstrar é a da total abrangência nacional, de forma a não repetir as experiências que mostravam a existência de projectos aprovados sobretudo nas grandes cidades e na faixa do litoral. As sessões de esclarecimentos e os "road-shows", e os eventos que tem vindo a organizar em vários pontos do país — nomeadamente na Semana Europeia da Juventude, que decorre entre 4 e 9 de Maio, mostram essa preocupação. O mapa com os projectos já aprovados também. Apesar de ainda existir uma incidência nos grandes centros urbanos (que se percebe também pelo maior número de população), a faixa dos jovens que são considerados com menos oportunidades atinge agora os 65 por cento.

“Este é um projecto eminentemente inclusivo”, explica uma fonte do projecto ao P3, acrescentando que não são apenas as “dificuldades” geográfica que definem aa exposição à oportunidade de cada jovem, mas também as reais dificuldades de conhecimento, de motricidade, etc.

Este programa procura responder a vários desafios, nomeadamente combater os níveis crescentes de desemprego (em que se tornou uma  das tarefas mais urgentes para os governos europeus). “Garantir sistemas de educação, formação e juventude fortes e eficazes pode ajudar a enfrentar este desafio, dotando os cidadãos das competências exigidas pelo mercado de  trabalho e por uma economia competitiva, ao serviço das comunidades e da Europa”, lê-se na página oficial do programa.