Patricia é fotógrafa e tem esclerose múltipla

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Patricia Lay-Dorsey é fotógrafa e tem esclerose múltipla. Cansada de ver fotógrafos e escritores sem deficiência a descrever o que é viver com incapacidade, decidiu que era tempo de alguém contar a história na primeira pessoa. Em entrevista ao P3, por email, Patricia contou que tinha 45 anos quando caiu inexplicavelmente pela primeira vez. "Até esse dia tinha corrido maratonas, fazia tours de bicicleta de 200 milhas com o meu marido e tinha deixado há pouco tempo as aulas de dança moderna e ballet. O meu corpo sempre fez o que lhe pedia até se tornar a parte mais imprevisível da minha vida." Foi-lhe diagnosticada esclerose múltipla, crónica e progressiva. "Neste momento, 27 anos após ter sido diagnosticada, não consigo andar e as minhas mãos têm força e agilidade limitadas. Desloco-me numa scooter de mobilidade. Ainda conduzo e posso fazer viagens longas sozinha, na minha mini-van com rampa de acesso para cadeira de rodas. Viajo pelo mundo de avião e comboio. Todas as semanas faço exercício num ginásio com um personal trainer e faço natação. Sou conhecida como "Grandma Techno" (vídeo) porque há 10 anos que vou ao Festival de Música Electrónica de Detroit. Adoro dançar, seguro-me à minha scooter ou a uma grade de protecção. Sou fotógrafa profissional e o meu trabalho é respeitado na área. Sim, devo respeitar as minhas limitações físicas, mas vivo a vida em pleno." O livro "Falling Into Place: Self Portraits" compila imagens recolhidas pela fotógrafa em momentos de visível debilidade física. "Não me sinto confortável quando os outros observam a minha luta para abrir embalagens, cortar comida, entrar ou sair da cama, pegar em objectos que cairam no chão. Desgosto particularmente que me vejam cair. Digo a mim própria que o desconforto que sinto vale a pena porque estas fotografias darão às pessoas uma visão de dentro sobre o que é viver com incapacidade." O seu livro tem sido utilizado como ponto de partida para discussões sobre deficiência e criatividade. "Os fotógrafos apreciam a qualidade das fotografias, as pessoas sem incapacidade sentem-se gratas por poder conhecer a vida do ponto de vista de uma pessoa com incapacidade, as pessoas com deficiência ficam agradecidas por verem as suas vidas reflectidas de uma forma verdadeira e respeitosa. É desse modo que sinto fazer a diferença no mundo." As fotografias diárias de Patricia Lay-Dorsey podem ser vistas através da sua conta no instagram. Ana Maia