Resultados dos alunos são o elo fraco das escolas

Avaliação externa realizada pela Inspecção-Geral da Educação e Ciência dá conta de boas lideranças.

Fotogaleria
Fotogaleria
Fotogaleria

Melhor na liderança e gestão, pior nos resultados dos alunos. Esta é, em síntese, a imagem que sobressai da avaliação feita, em 2012/2013, a 144 agrupamentos e escolas não agrupadas do ensino básico e secundário, cujo relatório foi agora divulgado pela Inspecção-Geral da Educação e Ciência (IGEC), a entidade responsável por esta monitorização.

A acção desenvolvida em 2012/2013 inaugurou o segundo ciclo de avaliação externa das escolas. O primeiro decorreu entre 2006 e 2012. À semelhança do que então foi feito avaliaram-se três domínios: liderança e gestão; prestação do serviço educativo e resultados. Numa escala de classificação com cinco níveis (de excelente a insuficiente), e também como já sucedera em avaliações interiores, a liderança e gestão é o domínio onde se registou “maior número de classificações de muito bom (27,8%) e também a maior preponderância do nível bom (52,1%)”. O peso do nível suficiente foi menos expressivo neste domínio do que nos outros, correspondendo a um quinto das escolas avaliadas (20,1%).

Em contrapartida, a classificação de suficiente teve “o seu peso mais significativo no domínio respeitante aos resultados (31,2%)”, que foi também o que somou menos menções de bom (43,1%) e o único em que foi atribuída ainda a nota de insuficiente (0,7%).

Já a classificação de muito bom “apresentou um peso muito similar nos três domínios avaliados”: 27,8% na liderança e gestão; 26,4% na prestação do serviço educativo e 25% nos resultados. A classificação de excelente não foi atribuída a nenhum destes 144 agrupamentos e escolas não agrupadas situadas em território português, mas a escola portuguesa de Macau, que também foi avaliada naquele ano, recebeu esta menção nos três domínios.

A IGEC já avaliou, entretanto, mais 260 agrupamentos, mas os relatórios globais respeitantes às acções desenvolvidas em 2013/2014 e 2014/2015 ainda não estão disponíveis. 

Para além de classificar as escolas, a avaliação externa identifica o que considera serem os pontos fortes de cada estabelecimento e quais as áreas em que as escolas devem trabalhar para serem melhores. No domínio relativo ao governo das escolas, foi o item liderança, com 33%, que registou “o valor mais elevado de atributos positivos”. A gestão recolheu 6% e a auto-avaliação e melhoria, outros dos itens avaliados neste domínio, ficou-se pelos 3%, o registo mais fraco de todos.

O segundo item com maior peso de pontos fortes foi o que diz respeito às práticas de ensino (20%), um dos parâmetros avaliados no domínio relativo à prestação do serviço educativo, que abrange ainda a monitorização e avaliação do ensino e aprendizagem e o planeamento, ambos com 9% de asserções positivas. Um dos pontos fortes destacado pela IGEC neste domínio diz respeito às práticas desenvolvidas pelas escolas “no âmbito da prevenção da desistência e do abandono escolar”.

Os resultados académicos obtidos pelos alunos foi o segundo item com um menor peso de asserções positivas (4%). Neste item a IGEC destaca, como ponto forte, a “tomada de decisões relativas à implementação de medidas promotoras do sucesso”, mas em simultâneo assinala “dificuldades na identificação dos factores explicativos do insucesso, bem como na implementação de acções que contribuam eficazmente para melhorar os resultados dos alunos”. É uma das áreas a necessitar de melhorias.

A avaliação dos chamados resultados sociais valeu-lhe um segundo lugar na distribuição de pontos fortes (20%). Neste item avaliam-se aspectos relacionados, entre outros, com as formas de participação dos alunos na vida da escola, com a implementação de acções de educação para cidadania e com estratégias para desenvolver as competências sociais dos alunos. A IGEC considerou que, no geral, há uma reduzida participação dos alunos na vida das escolas e uma “insuficiente co-responsabilização dos mesmos nas tomadas de decisão e na organização de actividades”. Foi outra das áreas de melhoria identificadas neste relatório.  

Na Finlândia, uma das principais apostas da reforma do sistema educativo que será implementada a partir do próximo ano diz respeito, precisamente, ao maior envolvimento dos estudantes nas tomadas de decisão, nomeadamente na selecção dos currículos locais ou seja, na oferta específica proposta pelas diferentes escolas, em conjunto com os municípios, de modo a dar respostas às diferentes características e necessidades locais.  

Ambiente das escolas satisfaz

A IGEC elaborou ainda quatro questionários de satisfação, para pais, alunos, professores e pessoal não docente. Obteve 11.373 respostas. O grupo com maior participação (81,6%) foi o dos alunos do 2.º e 3.º ciclos. Os estudantes mostraram-se particularmente satisfeitos com os aspectos relacionados com o “ambiente, segurança e disciplina”, que recolheram 72,7% de apreciações positivas; mas menos de metade (49.8%) manteve o mesmo espírito quando a avaliação incidiu sobre “instalações e serviços das escolas”. 

Este é também o domínio pior classificado por pais e pessoal docente e não docente. No que respeita aos encarregados de educação os aspectos que merecem maior satisfação estão relacionados também com o ambiente a segurança e a disciplina (77,9%) e, em segundo lugar, com o ensino e a aprendizagem (76,1%). Nos alunos esta última percentagem desce para 64,2%. Já o pessoal docente e não docente está particularmente satisfeito com a direcção e funcionamento das escolas (79.8%). Entre os alunos 58,4% partilham esta satisfação.

“A escola é aberta ao exterior” foi a frase que reuniu maior consenso entre os professores (92%). Na posição inversa ficou esta: “O comportamento dos alunos é bom”. Entre os pais a afirmação mais consensual (88,4%) dá conta de que “o director de turma é disponível e faz uma boa ligação à família” e a que gerou maior discordância refere que "os serviços de refeitório e bufete são bons"

E os alunos? Quase 92% reconheceram-se na afirmação de que têm vários amigos na escola e 37,6% discordaram quando lhes foi afirmado que usavam o computador na sala de aula "com alguma frequência"