Horários dos bares no Centro Histórico de Viseu em debate público

Proprietários dos bares e clientes não concordam com as regras defendidas pela câmara e avançam com contra-proposta

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A maior parte das pessoas com idades compreendidas entre os 15 e os 24 anos (59%) considera o consumo regular um comportamento de "alto risco" Paulo Pimenta/Arquivo

A petição, subscrita por mais de 1000 pessoas, propõe a uniformização do horários para as 04h00, embora com diferenças enre as épocas de Inverno e de Verão. De Outubro a Março e de domingo a terça-feira o horário de encerramento proposto é até às 02h00 e de quarta a sábado até às 04h00. De Abril a Setembro, o horário seria sempre até às 04h00. Horários compatíveis com a actividade económica e com o descanso de quem habita no Centro Histórico, garantem os subscritores.

No novo regulamento, o hora´rio de funcionamento proposto é entre as 08h00 e a 01h00 de domingo a quarta-feira e entre as 08h00 e as 03h00 de quinta-feira a sa´bado e ve´speras de feriado e durante todo o ano.

A proposta está em discussão pública durante um mês, após o qual deverá ser aprovada em Assembleia Municipal. Segundo o presidente da autarquia, Almeida Henriques, o documento em debate é “um ponto de partida”.

O autarca explicou que a proposta visa “uniformizar” os horários em todo o concelho, independentemente da localização, lembrando que o horário está feito de acordo com os vários grupos definidos para cada tipo de estabelecimento. Referiu ainda que o documento final resulta da auscultação feita no âmbito da comissão de acompanhamento criada para o efeito e que vai de encontro ao solicitado que é de ter quatro dias da semana com um horário mais reduzido e de descanso para os moradores.

Boas práticas
Mais do que alterar horários de funcionamento, são os próprios proprietários dos estabelecimentos que apelam à criação de boas práticas para que a convivência no Centro Histórica seja “benéfica” para quem ali vive e trabalha.

“Julgo que todos, incluindo os moradores, lucram com a "vida" que os bares do Centro Histórico promovem. Havendo movimento há uma menor probabilidade de ocorrencias criminais e inclusivamente poderá fazer até aumentar o valor dos imóveis”, advoga, por exemplo, Miguel Maia,  proprietário de uma taberna no Centro Histórico.

“Existem locais no país em que não há horários e não existem grandes problemas”, exemplifica Mauro Correia, opinião partilhada por António Alves para quem a solução passa por “estabelecer mais regras com a questão dos ruídos e na rua ser a autoridade a fazer o seu trabalho”.

Unânime é também a opinião entre moradores e proprieários de que, independentemente do horário de encerramento dos bares, o maior problema está no barulho que é feito na rua.

“Se se criasse um programa de financiamento de requalificação infraestrutural dos estabelecimentos de diversão nocturna, poderiam inclusivamente aumentar o período de funcionamento e mantendo as pessoas dentro dos estabelecimentos reduzia-se efectivamente o ruido que tanto incomoda os moradores”, opina de novo Miguel Maia.

Sossego é a palavra que os moradores mais gostam e que, diz Madalena Soares, “há dias em que é difícil ter”. “Mais do que impor regras, é preciso civismo, respeito e autoridade”, sugere a moradora que se mudou há cerca de um ano para o Centro Histórico e não está arrependida. Admite que a sua “paciência” pode não ser igual a de muitos outros habitantes que “não querem ser expulsos do local onde sempre viveram e onde criaram a sua atividade económica”.

O Centro Histórico de Viseu perdeu na última década 30% da população. Hoje, vivem, segundo os dados mais recentes, cerca de 1300 pessoas. No início do ano foi criado o movimento “Há vida no Centro Histórico”, que reúne proprietários de bares e restaurantes, e quer promover esta zona da cidade de Viseu como “um sítio bom para viver e trabalhar”.