Mais de mil pessoas morreram quando a terra tremeu no tecto do mundo

O maior terramoto em 80 anos de história matou pelo menos 1341 pessoas e fez tremer os países vizinhos. O número de vítimas aumentará ao longo dos próximos dias.

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A Praça Durbar, frente ao antigo palácio real, classificada como Património Mundial pela UNESCO PRAKASH MATHEMA/AFP
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Equipas de socorro retiram um corpo dos escombros da Torre de Dharahara, um dos monumentos mais importantes do Nepal PRAKASH MATHEMA/AFP
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Dezenas de pessoas concentraram-se no exterior do Aeroporto Internacional de Katmandu após o terramoto Dhany Osman/Reuters
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A Torre de Dharahara ficou fortemente danificada Diptendu DUTTA/AFP
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A contagem dos mortos não acabou, porém. Apenas abrandou com a noite e chuva. Não só pelas réplicas que ainda se sentiam no Nepal e que obrigaram a maior parte da população a dormir na rua, por receio de novos desabamentos, mas principalmente pelos deslizes de terra que preocupam as autoridades e, sobretudo, pelas centenas de corpos soterrados pelos escombros e isolados nas zonas mais montanhosas do país do Evereste. Para além do mais, os hospitais nepaleses trataram ao longo do dia as centenas de feridos com cuidados mínimos, em tendas e nas ruas. O Governo pediu imediatamente ajuda humanitária e o apoio da comunidade internacional. A Índia, também afectada, respondeu em primeiro lugar e enviou um avião com equipas de resgate e material médico. 


 

O terramoto deu-se pelo meio-dia local, perto das seis da manhã portuguesas. O epicentro deu-se 68 quilómetros a leste de Pokhara e a meio caminho entre esta, que é a segunda cidade mais populosa do Nepal, e a capital, Katmandu. Dos 1341 mortos que já se contaram, cerca de metade foram encontrados no vale de Katmandu, a zona com maior densidade populacional do país. A terra tremeu durante dois minutos e o abalo sentiu-se na Índia, Bangladesh, Tibete e Paquistão. De tal maneira que a onda de choque destruiu vários edifícios no Norte e Nordeste da Índia, onde as autoridades contaram, até ao momento, 36 pessoas mortas. No Tibete morreram 12 e no Bangladesh quatro. O Ministério dos Negócios Estrangeiros confirmou ao PÚBLICO que os sete cidadãos portugueses que foi capaz de localizar no Nepal estavam em segurança.

O executivo nepalês declarou o estado de emergência para as regiões mais afectadas. Ao longo do dia, registaram-se várias réplicas, muitas delas na casa dos cinco pontos de magnitude na escala de Richter. Menos de uma hora depois do maior abalo, um dos choques atingiu os 6,7 pontos. 

Especialistas norte-americanos disseram à Associated Press que o rasto de mortandade deixado por este terramoto deve superar facilmente um milhar de vítimas e os estragos ultrapassarão certamente os 100 milhões de euros.

Património arrasado

Os receios voltaram-se inicialmente para as altas construções nas zonas de Katmandu e Pokhara. No Nepal, um dos países mais pobres da região, estes edifícios são muitas vezes construídos à margem das regras e segurança da engenharia desenvolvida. Mas foram os edifícios mais antigos do país, os templos e pequenos palácios de madeira da zona histórica do vale de Katmandu os que mais sofreram com o abalo. Só neste vale há sete monumentos na lista do Património Mundial da UNESCO.

Pelo menos dois deles ficaram arrasados. Caíram os templos da Praça Durbar, esfarelados em pedra velha e madeira antiga. Tombou quase por completo a torre Dharahara. Estavam 200 pessoas lá dentro, dizem as autoridades nepalesas. Ao longo dos dois minutos que terá durado o terramoto, Dharahara perdeu 50 dos seus 60 metros e a escadaria de caracol do início do século XIX por onde subiam centenas de pessoas por dia. Até ao final da tarde já tinham sido retirados dezenas de cadáveres dos destroços. Perto de 60. Tantos como a altura da torre.

Estava lá e deixou de estar. Algo que o escritor e fotógrafo Kashish Das Shrestha ainda estava a tentar compreender. “Estive cá ontem. Estive cá no dia de antes de ontem e [a torre] estava aqui”, disse ao New York Times. “Hoje simplesmente desapareceu.”

Intensidade dos sismos na escala de Richter

9,2

8,7

9

8,7

8,9

9

8,8

9,1

9

9,5

8,8

Subdução

 

As pla­cas des­li­zam uma con­tra a ou­tra ao lon­go das fa­lhas, crian­do pres­são que se li­ber­ta

Des­li­ze ao lon­go de uma falha

 

Uma pla­ca tec­tó­ni­ca é for­ça­da pa­ra bai­xo de ou­tra. Es­te ti­po de ter­ra­mo­tos são mui­to in­tensos

On­das de choque

Epicentro

Foco

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On­das de choque

Título TAB 3

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Fonte: Público

Avalancha no Evereste
O tremor de terra deste sábado provocou ainda uma grande avalancha no Evereste, tendo desabado pedras, gelo e neve sobre um acampamento de alpinistas, a mais de 5000 metros de altitude. Uma equipa de resgate do Exército indiano encontrou já 18 corpos, mas acredita-se que este número vá aumentar ao longo dos próximos dias.

Este é o período do ano em que mais pessoas viajam para o Evereste, na cordilheira dos Himalaias, para fazerem montanhismo e escalada antes das chuvas de Maio. Só para a temporada de Primavera, o Governo do Nepal esperava cerca de 300 mil turistas.

Quando se deu o terramoto e, momentos depois, a avalancha, estariam cerca de mil pessoas na montanha. A maior parte estava no campo que serve de base às excursões e foi apanhada pelos destroços arrastados pela avalancha. Os sobreviventes contaram à Reuters que o deslize causou dezenas de feridos, alguns deles em estado grave. Mas, para além dos que foram atingidos no campo, há dezenas de alpinistas que haviam escalado para pontos mais altos da montanha e que estão desaparecidos ou incontactáveis.

“Correndo pela vida saído da minha tenda. Muitas, muitas pessoas no cimo da montanha”, escreveu no Twitter Alex Gavan, que se encontrava no acampamento na altura do abalo. Horas mais tarde, Gavan escreveu na rede social. Desta vez com um apelo: “Muitos mortos. Muitos mais gravemente feridos. Vão morrer mais se não [enviarem] um helicóptero o mais rapidamente possível.”