Agustina Bessa-Luís vence prémio Eduardo Lourenço

Júri decidiu por unanimidade e classificou a escritora como "um dos expoentes máximos da literatura portuguesa (e universal) do século XX".

Agustina Bessa-Luís é a homenageada da edição deste ano
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Agustina Bessa-Luís é a homenageada da edição deste ano Fernando Veludo/NFactos

A escritora Agustina Bessa-Luís é a vencedora da 11.ª edição do Prémio Eduardo Lourenço, no valor de 7.500 euros, foi anunciado esta sexta-feira na Guarda.

O anúncio foi feito no final da reunião do júri pelo reitor da Universidade de Coimbra (UC), João Gabriel Silva, e pelo vereador da Educação, Cultura e Turismo da Câmara da Guarda, Victor Amaral.

Instituído pelo Centro de Estudos Ibéricos (CEI), em 2004, o prémio destina-se a galardoar personalidades ou instituições com intervenção relevante no âmbito da cooperação e da cultura ibérica.

Segundo João Gabriel Silva, porta-voz do júri, a escritora Agustina Bessa-Luís é "um dos expoentes máximos da literatura portuguesa, mas na realidade universal, do século XX". O reitor da UC acrescentou, em declaração à Lusa no  final da reunião, que a escritora "deu à literatura portuguesa uma latitude notável, que todos reconhecem, criou um imaginário simbólico próprio. Não é por acaso que é uma das autoras mais estudadas até no ensino básico e secundário".

O júri justificou ainda o prémio a Agustina, segundo o comunicado distribuído à comunicação social, "em reconhecimento da sua grande projecção nacional e internacional", considerando a escritora "um expoente máximo da cultura portuguesa e ibérica, [que] valorizou na sua obra a profunda consonância com a grande tradição cultural ibérica, capaz de integrar e compreender Cervantes e Fernão Mendes Pinto, Nuno Gonçalves e Velázquez".

Sobre o reconhecimento internacional, e especialmente ibérico, da obra de Agustina, João Gabriel Silva notou ainda, à Lusa, que se trata de "um dos autores portugueses mais conhecidos em Espanha". "Portanto, o carácter ibérico deste prémio fica bem claro nesta escolha consensual do júri", acrescentou o reitor no final da reunião do júri, que foi realizada nas instalações do CEI, na Guarda.

O júri da 11.ª edição do Prémio Eduardo Lourenço foi também constituído pelos outros membros da direcção do CEI (Câmara Municipal da Guarda, representada pelo vereador Victor Amaral, e Universidade de Salamanca, representada pela vice-reitora María Ángeles Serrano), elementos das comissões científica e executiva do Centro, pelos professores Valentín Cabero e Fernando Rodríguez de la Flor (Universidade de Salamanca), Manuel Santos Rosa e Pedro Pita (UC), e ainda por três personalidades convidadas: Santos Justo e Pedro Bingre do Amaral (indicados pela UC) e José Luis Puerto (Universidade de Salamanca).

A este prémio anual, que tem o nome do ensaísta Eduardo Lourenço, natural do distrito da Guarda, mentor e presidente honorífico do CEI, foram este ano apresentadas 21 candidaturas.

O prémio teve a sua primeira edição em 2004 e já distinguiu várias personalidades de relevo de Portugal e de Espanha: as anteriores edições contemplaram Maria Helena da Rocha Pereira (professora catedrática de Cultura Greco-Latina), Agustín Remesal (jornalista), Maria João Pires (pianista), Ángel Campos Pámpano (poeta), Jorge Figueiredo Dias (professor catedrático de Direito Penal), os escritores César António Molina e Mia Couto, José María Martín Patino (teólogo) e os professores e investigadores Jerónimo Pizarro e Antonio Sáez Delgado.

O CEI é uma associação transfronteiriça sem fins lucrativos, que nasceu de um desafio lançado pelo ensaísta Eduardo Lourenço na sessão solene comemorativa do 8º. centenário do Foral da Guarda, em 1999. 

O prémio deste ano será entregue numa cerimónia na Guarda em data ainda a anunciar.

 

Correcção do nome de um jurados, Bingre.