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Setenta anos sem Hitler

A II Guerra Mundial é provavelmente o evento responsável pelo nascimento de mais obras culturais de sempre, no sentido mais lato do termo, sendo inspiração para livros, filmes, jogos de tabuleiro e de consolas, entre muitos outros

Abril é mês agridoce. A 20 deste mês, em finais do século XIX, nasceu o pior homem de todos os tempos. Felizmente, a trinta do mesmo mês, mas uns anos mais adiante, matou-se o pior homem de todos os tempos. Adolf Hitler morreu há setenta anos, e oxalá nunca nos esqueçamos dele. Não com o intuito de o celebrar, mas com a ideia perene e presente de que o homem sabe ser um bicho mau.

A II Guerra Mundial é provavelmente o evento responsável pelo nascimento de mais obras culturais de sempre, no sentido mais lato do termo, sendo inspiração para livros, filmes, jogos de tabuleiro e de consolas, entre muitos outros. Foram os seis anos mais longos da História contemporânea e, mesmo assim, ainda hoje não cessam de nos impressionar. Não espanta, portanto, que mais e mais factos venham à tona, deitando alguma luz sombre as sombras que ainda permanecem.

Por exemplo, Guido Knopp, no recentemente traduzido “Os Segredos do III Reich” levanta o pano sombre algumas inverdades comummente dadas como certas. Uma delas é a de que Hitler teria raízes judaicas, totalmente falsa: trata-se de um pseudo-facto nascido de uma errada investigação genealógica e, possivelmente, de alguma propaganda anti-nazi. Também se crê, erradamente, que Hitler ligava pouco a mulheres e que Eva Braun terá sido a única menina dos olhos do monstro. Um boato criado pela própria máquina nacional-socialista, que queria tornar o ditador eternamente solteiro e, do mesmo modo, eternamente apetecível às jovens alemãs. Mas Eva foi apenas a última de uma longa sucessão de amantes, que terá começado logo aos 16 anos de Hitler, quando ainda vivia em Linz, na sua Áustria natal.

Aliás, existem indícios de que em Junho de 1917, quando o futuro ditador tinha 18 anos, Hitler terá forçado Charlotte Lobjoie a ter relações sexuais. Meses depois, Charlotte terá confessado a Adolf que estaria grávida e, dele, nenhum sinal de agrado — pelo contrário. Consta que terá tido o filho, embora Hitler tivesse fugido para não mais se encontrar com a mulher, que depois casou com o litógrafo Clement Loret. A criança que poderia ter o sangue de Hitler chamar-se-ia Jean-Marie Loret, tendo falecido em 1976. Actualmente, sabe-se que alguns testes de ADN feitos aos descendentes de Loret não permitiram atestar a veracidade da ascendência hitleriana, mas também é verdade que nenhuma das provas é conclusiva a cem por cento. Esta não é, contudo, a única descendência de Hitler.

Adolf teve uma irmã e oito meio-irmãos, um dos quais emigrou para a Irlanda e foi pai de um tal de William Patrick Hitler, que, por sua vez, emigrou para os Estados Unidos, onde foi pai de três rapazes. A um deles, deu-lhe o curioso nome de Alexander Adolf. Os outros chamam-se Louis e Brian. O trio vive em Long Island, Nova Iorque, e luta ao máximo pelo anonimato — vá-se lá saber porquê.

Há ainda muito por descobrir sobre o III Reich e todas as suas circunstâncias — e, até, sobre o pós-nazismo. A título de exemplo, aproveito para afirmar que aguardo com muita expectativa que a Bertrand exerça os seus direitos de tradução de Eric Frattini, com quem já tive o gosto de conversar por mais que uma vez, e que ponha nos escaparates lusos o seu novo livro chamado “Terá Hitler Morrido no Bunker?”. Queremos saber mais, queremos saber tudo.