Miguel Gomes estreia As Mil e Uma Noites em Cannes

As Mil e Uma Noites tinha lugar na secção oficial Un Certain Regard, mas Miguel Gomes e o seu produtor acharam que o filme ficava melhor na Quinzena dos Realizadores, na companhia das mais recentes obras de Arnaud Desplechin ou Philippe Garrel.

Fotogaleria
As Mil e Uma Noites DR
Fotogaleria
As Mil e Uma Noites DR
Fotogaleria
As Mil e Uma Noites DR
Fotogaleria
As Mil e Uma Noites DR
Fotogaleria
As Mil e Uma Noites DR
Fotogaleria
Miguel Gomes no plateau de As Mil e Uma Noites DR

O filme As Mil e Uma Noites, de Miguel Gomes, composto por três volumes autónomos de duas horas cada – O Inquieto, O Desolado e O Encantado –, vai-se estrear na Quinzena dos Realizadores, uma secção paralela do Festival de Cannes que decorrerá entre 14 e 24 de Maio.

A notícia foi anunciadaeste sábado e já chegou à Variety, segundo a qual As Mil e Uma Noites foi muito apreciado pelo comité de selecção do festival, que ponderou seriamente incluí-lo entre os filmes em competição – anunciados no dia 16 , e só acabou por recuar face à duração da obra (que implicaria dispensar dois outros potenciais candidatos). Em contrapartida, diz a Variety, o festival ofereceu a Miguel Gomes um lugar na secção oficial Un Certain Regard, que o realizador recusou para aceitar o convite do prestigiado programa paralelo Quinzena dos Realizadores.

Luís Urbano, da produtora O Som e a Fúria, confirma o relato da Variety. “Tínhamos um convite para a Un Certain Regard, mas escolhemos a Quinzena dos Realizadores, que mostrará melhores filmes, e onde As Mil e Uma Noites terá mais exposição e mais visionamentos”. As três partes do filmes serão exibidas em três dias consecutivos, com duas sessões diárias.

Urbano sublinha que o filme se compõe de três filmes com um título comum e subtítulos próprios – "quem quiser ver o filme todo terá de ver os três volumes, mas cada um deles tem personalidade autónoma" –, e adianta que a sua distribuição comercial obedecerá à mesma lógica. “Os três volumes vão sair com um intervalo de tempo entre cada estreia”, explica o produtor, que espera que As Mil e Uma Noites chegue às salas na segunda quinzena de Setembro.

Ainda segundo Luís Urbano, outro motivo que pesou na opção pela Quinzena dos Realizadores foi “o entusiasmo do convite” que lhes chegou do director da secção, Edouard Waintrop, que assumiu funções em 2012 e a quem a Variety atribui o mérito de ter elevado a fasquia da respectiva programação. 

E lendo o que Waintrop escreve no site da Quinzena dos Realizadores, onde vão sendo anunciados os novos filmes com presença confirmada, advinha-se que a palavra “entusiasmo” para descrever a sua reacção ao novo filme de Miguel Gomes só pecará por defeito. “As Mil e Uma Noites, o filme, ou antes os três maravilhosos filmes de Miguel Gomes serão programados na Quinzena dos Realizadores”, escreve Waintrop, acrescentando que “esta soberba série, inspirada nas histórias contadas por Xerazade e em factos ocorridos no Portugal dos anos 2013 e 2014 – um país então submetido a uma política que negava toda a justiça social –, irá dar o tom à programação” deste ano.

Miguel Gomes, lembra a Variety, não é o único autor que prescindiu da selecção oficial de Cannes em benefício da Quinzena dos Realizadores. O mesmo fez Arnaud Desplechin, cujo novo filme, Trois Souvenirs de Ma Jeunesse, com Mathieu Amalric, ali terá estreia mundial no dia 15 de Maio. O programa abrirá no dia anterior com L’Ombre des Femmes, de Philippe Garrel.

Se foi com Tabu (2012) que Miguel Gomes alcançou efectiva projecção internacional – distribuído em meia centena de países, o filme foi premiado em vários festivais e integrou a lista dos dez filmes do ano da revista Cahiers du Cinéma –, a Quinzena dos Realizadores já tinha reconhecido o seu talento em 2008, quando programou a sua segunda longa-metragem, Aquele Querido Mês de Agosto (2008).