Torne-se perito

Katia Guerreiro leva Até Ao Fim ao Grande Auditório do CCB

O disco que Katia Guerreiro fez com Tiago Bettencourt chega agora ao palco. É já este sábado no CCB, em Lisboa, às 21h.

Foto
Katia Guerreiro fotografada para o disco Até Ao Fim Pedro Ferreira

Quando o disco foi editado, em Novembro de 2014, Katia Guerreiro explicou Até Ao Fim como o resultado de “uma necessidade de fazer coisas novas”. Mas ninguém imaginaria que ela tinha convidado o ex-Toranja Tiago Bettencourt para produzir um disco de fados. Nem ele, que demorou algum tempo a dizer “sim” ao convite.

Katia já conhecia o nome de Tiago Bettencourt desde o início dos Toranja, porque quando ela começou a carreira de médica em Évora trabalhou com um tio de Tiago, que estava sempre a falar-lhe do sobrinho. Mas foi nos fados que se conheceram pessoalmente (já partilhavam uma admiração mútua): “Quando comecei nas lides das casas de fado, cruzava-me lá com ele, conversávamos imenso e apercebi-me de que o Tiago era um ouvinte muito atento de fado. E o pai dele é um ‘fanático’ de fado, muito exigente.”

Mais tarde, a tal “necessidade de fazer coisas novas” levou Katia a convidar Tiago para produzir o seu novo disco. Ele, embora frequentasse os meios fadistas, começou por recusar alegando que podia ser “muito arriscado” meter-se num universo que não era o dele. Houve, apesar disso, um “namoro longo” em torno da ideia. E Tiago cedeu. O resultado, a que Katia já tinha a ideia de dar o nome Até Ao Fim (mal ela sabia, nessa altura, que Tiago tinha, já gravado e pronto a lançar, um disco chamado Do Princípio), acabou por ser lançado em Novembro de 2014 e teve uma recepção muito satisfatória.

Entre os autores gravados, Tiago Bettencourt musicou Sophia de Mello Breyner, Sei que estou só, e Vasco Graça Moura, Até ao fim e As quatro operações, este último em parceria com o guitarrista Pedro de Castro, que por sua vez musicou Amália Rodrigues (Quero cantar para a Lua, que conta com Pedro Jóia na viola) e Rita Ferro (Mentiras). Outros autores gravados foram Alberto Janes (Janela do meu peito), Paulo de Carvalho (Amores, logo a abrir o disco, um fado sobre os Açores), Samuel Úria (que escreveu a letra de Fado da noite que nos fez para o Fado Versículo de Alfredo Marceneiro) e José Fialho Gouveia, que assina Eu disse ao mar que te amava, escrito para a música do Fado Franklin de Quadras. Há também um Fado Triplicado, que ganhou letra de Rui Machado (o título é Fado dos contrários), professor de Filosofia de Katia no 11.º ano, nos Açores e que ela reencontrou anos mais tarde. Pediu-lhe a letra e ele escreveu-a.

Por fim, Sei que estou só, um tema que Tiago Bettencourt gravara no seu singular disco Tiago na Toca, foi integrado no disco de Katia com um novo título: Nesta noite.

Agora, a aventura de Katia e Tiago chega ao palco do Centro Cultural de Belém. Será no Grande Auditório, este sábado, 18 de Abril, pelas 21h. Com Katia Guerreiro (voz) estarão Luís Guerreiro e Pedro Castro (ambos na guitarra portuguesa), João Viega (viola) e Fernando Júdice (viola baixo). António Martins cuidará do desenho de luz.

Na altura do lançamento do disco, Katia não tinha pressa de o levar a palco. “Quero que o disco chegue às pessoas”, disse ela ao PÚBLICO. “Para que, quando chegarem à sala de espectáculos, percebam a transformação que tudo isto tem em cima de um palco.” Pois chegou o momento de fazer a prova. Este sábado, numa noite de fados no CCB.