Crítica

O compromisso possível

O Sal da Terra é o “compromisso” possível entre a abordagem mais pessoal que Wenders sugere e o diálogo hagiográfico que a presença da entourage Salgado tinha em mente.

Foto

Mesmo que O Sal da Terra confirme como Wim Wenders, hoje, parece estar mais à vontade no documentário do que na ficção (basta comparar os resultados medíocres dos seus últimos filmes de ficção com o seu extraordinário filme sobre Pina Bausch), fica-nos ainda assim a sensação de que este documentário sobre o percurso de Sebastião Salgado não é exactamente o filme que Wenders quis fazer.

Construído como uma “estafeta” onde Wenders alterna o “testemunho” com Juliano Ribeiro Salgado, filho do fotógrafo brasileiro, O Sal da Terra é o “compromisso” possível entre a abordagem mais pessoal que o cineasta alemão sugere a espaços e o diálogo hagiográfico que a presença da entourage Salgado claramente tinha em mente.

O resultado é interessante mas morno, uma oportunidade que não foi aproveitada a cem por cento.