David Machado ganha Prémio de Literatura da UE

O escritor português é um dos 12 vencedores do Prémio da União Europeia para a Literatura para autores em início de carreira, com o romance Índice Médio de Felicidade. Dulce Maria Cardoso e Afonso Cruz venceram edições anteriores.

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David Machado DR

“É bom ser reconhecido pelo meu trabalho. Não só porque sabe bem lá no centro do ego, mas porque um prémio assim, internacional, pode ser um bom empurrão para alcançar novos leitores”, declarou David Machado numa breve conversa com o PÚBLICO pouco depois de saber que era um dos 12 vencedores do Prémio da União Europeia para a Literatura (Eurocid) destinado a autores em início de carreira, com o seu terceiro romance, Índice Médio de Felicidade (D. Quixote).

Publicado no Verão de 2013, o livro conta a história de Daniel num momento de crise pessoal e colectiva, o que serve ao escritor para uma reflexão sobre a precariedade do presente num retrato que cruza desespero e ironia.

O anúncio foi feito durante a feira do livro de Londres pelo comissário europeu para a Educação, a Cultura, a Juventude e o Desporto, Tibor Navracsics: “Trata-se de um romance cujo protagonista sofre os efeitos da crise que se abate sobre Portugal e a Europa, mas não desiste de lutar por um futuro digno para si e para a sua família”, declarou, sublinhando o “relato intenso, cinematográfico e cheio de ritmo, realista e dramático”, que considerou revelador de "uma notável segurança narrativa, um estilo claro, ágil e eficaz, uma imaginação e um humor dignos de realce, aliando à qualidade da escrita a qualidade da efabulação”.

Depois de Dulce Maria Cardoso e de Afonso Cruz, David Machado (n. 1978) é o terceiro escritor português a receber este prémio, que será entregue numa cerimónia a realizar a 23 de Junho, em Bruxelas.

Foi uma escolha unânime do júri em representação dos 34 países que integram o Programa Cultura de que fazem parte os portugueses Elísio Maia, em representação dos livreiros portugueses, José Jorge Letria (autores) e João Amaral (editores) –, e que distinguiu ainda Carolina Schutti (Áustria), Luka Bekavac (Croácia), Gaëlle Josse (França), Edina Szvoren (Hungria), Donal Ryan (Irlanda), Lorenzo Amurri (Itália), Undine Radzeviciute (Lituânia), Ida Hegazi Hoyer (Noruega), Magdalena Parys (Polónia), Svetlana Zuchová (Eslováquia) e Sara Stridsberg (Suécia).