Plataforma para desenvolver negócio dos biorecursos marinhos já tem 80 membros

Bluebio Alliance é apresentada hoje em Cascais e tem como missão organizar uma fileira “desmembrada”. Sector vale entre dois a quatro mil milhões de euros na Europa.

O que sobra da indústria das conservas pode ter aplicações na cosmética ou em aplicações biomédicas
Foto
O que sobra da indústria das conservas pode ter aplicações na cosmética ou em aplicações biomédicas Nelson Garrido

A primeira plataforma dedicada aos biorecursos marinhos é apresentada, nesta quinta-feira, em Cascais e já tem uma lista de 80 membros, 26 dos quais empresas que operam neste mercado. A Bluebio Alliance junta investigadores e organizações e quer constituir um negócio ainda por explorar em Portugal e com um potencial de crescimento de 14 a 15% ao ano. Helena Vieira, professora da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e directora-executiva da organização sem fins lucrativos, recorda que metade do PIB da União Europeia é gerado em áreas costeiras e só a biotecnologia do mar e os biorecursos marinhos valem entre dois a quatro mil milhões de euros na União Europeia (UE).

A rede será instalada na incubadora DNA Cascais, como apoio da autarquia local e do BPI, e tem uma equipa executiva composta por elementos de empresas e entidades fundadoras, como a Soja de Portugal, o centro de investigação 3B’s da Universidade do Minho e o laboratório associado CIIMAR da Universidade do Porto. Na prática, a Bluebio Alliance quer estabelecer ligações entre quem investiga, quem desenvolve produtos e os comercializa, e quem financia.

“A cadeia de valor existe mas está desorganizada e desmembrada. As empresas da fileira do pescado ou das conservas, por exemplo, provavelmente não sabem como criar valor acrescentado para os seus sub-produtos e há start-ups que podem estar a trabalhar nessa área”, detalha Helena Vieira.

Em concreto, na produção de conservas de sardinhas ou na transformação de pescado o que sobra é transformado em farinha e usado na alimentação animal, com baixo valor acrescentado. “A pele de peixe pode ser usada pela indústria do calçado ou têxtil, as espinhas e os restos de cartilagens têm aplicações biomédicas ou na cosmética”, exemplifica. Além disso, há trabalho a fazer ao nível das universidades. “Um dos problemas do sector é que temos muito conhecimento acumulado e produzido, mas não é transferido para o mercado, nem é aplicado”, lamenta.

O grande objectivo da nova plataforma também é internacionalizar as empresas que operam neste mercado, estimular a criação de novos negócios e o emprego e tornar o país numa referência. “Temos a plataforma continental que temos, os recursos estão aqui, podemos criar e reter talento”, salienta. A rede é uma organização sem fins lucrativos e será financiada por fundos comunitários e actividades próprias, como conferências ou formação.