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Em Archimachine, várias obras portuguesas aparecem interligadas
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Federico Babina

Federico Babina, o italiano que transformou a Casa da Música num porco

As ilustrações que faz são virais na Internet: Federico Babina desenha obras arquitectónicas de todo o mundo, numa perspectiva simples e com humor. Nascido em 1969, o italiano adora “o silêncio da arquitectura” e confessa-se fascinado pela ideia de “misturar o mundo da arquitectura e da ilustração”

Nos últimos dois anos tens criado várias séries “Archi”. O que te levou a começar este projecto?

Não foi uma decisão racional. Desenhar é a primeira forma de dar forma e corpo a um projecto. Nesse sentido, todo o arquitecto deveria ser um designer gráfico. Nasci com a ilustração, é parte da minha vida desde criança. Comecei com livros de histórias, passei pela banda desenhada e cheguei à arquitectura. Ilustrar e fazer um projecto de arquitectura são, para mim, duas formas de narrar e fotografar pensamentos e emoções. Sou fascinado pela ideia de ser capaz de misturar o mundo da arquitectura e da ilustração: transformar a arquitectura numa ilustração e vice-versa.

Em que tipo de coisas te inspiras?

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Em Archizoo, a mais recente série de ilustrações, Babina transformou a Casa da Música, de Rem Koolhaas, num porco DR

Nas pessoas, nos animais, na natureza... Em tudo o que tenha vida. Cada um passa por vários estádios de formação e em cada um deles as referências mudam. Muitas coisas me inspiram, mas nenhuma em particular: tenho muitos amantes mas não me quero casar com nenhum.

O que te dá mais prazer: a arquitectura ou a ilustração?

Prefiro ser uma pessoa curiosa, sempre à procura de coisas novas para aprender, sou sempre eu e é difícil separar as duas partes que me representam. Sou um arquitecto e um designer gráfico e trabalho em ambas as áreas. Gosto especialmente quando as duas disciplinas de encontram. O denominador comum é tentar sempre fazer o que gosto, da forma mais livre possível.

O que te fascina mais na arquitecutra e na ilustração?

Adoro arquitectura porque é capaz de me surpreender, com sensações reveladoras e inesperadas. A arquitectura deve ser capaz de comunicar mas, acima de tudo, de ouvir. Adoro o silencio da arquitectura e de como é capaz de te abraçar e de te proteger. Todos os dias vivemos, vemos, respiramos, tocamos e ouvimos arquitectura. A magia da ilustração é a capacidade de te surpreender e transportar para um mundo cheio de histórias. Um simples desenho que contenha algum elemento inesperado é capaz de te fazer viajar com fantasia e imaginação.

Como descreves o processo criativo que te leva a apresentar as séries de ilustrações?

Não acredito na inspiração. As ideias estão lá à nossa espera, o problema é que muitas vezes não somos capazes de as ver. Tento observar as coisas de um ponto de vista diferente: ver o mundo de pernas para o ar pode oferecer muitas ideias criativas e acordar-nos de uma espécie de “sono de visão”. Tento manter a minha linguagem expressiva o mais simples que posso — simplificar é o mais difícil. Para simplificar tens de remover as coisas que estão a mais. Quando começo um projecto, o primeiro passo e mais importante é escolher o que quero dizer. Assim que encontro o elemento gerador, o passo seguinte é trabalho de pesquisa para encontrar a melhor forma de descrever e explicar o conceito e transformar a ideia numa ilustração. Deve existir algo que estimula a minha imaginação, algum elemento que represente o ponto de início para uma viagem com fantasia.

Tens alguma série preferida?

Não tenho uma imagem ou série favorita, cada uma tem algum elemento que a torna especial para mim. A minha ilustração favorita é a próxima, aquela que estou a imaginar e que ainda não existe. Quando termino um projecto, mergulho com entusiasmo no seguinte.

Depois de “Archizoo”, o que podemos esperar?

Estou sempre a trabalhar em vários projectos em simultâneo, o que me permite ter uma abordagem mais dinâmica. Sou um designer gráfico “multitasking”. Gosto de encontrar a arquitectura escondida em universos paralelos. Nesse sentido, a ilustração ajuda-me a explorar linguagens alternativas. A arquitectura é sempre a protagonista.

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