“O 'movimento pirata' morreu”

Sunde (à dta.) com Frederik Neij (à esq.) e Gottfrid Svartholm Warg, os outros fundadores do Pirate Bay
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Sunde (à dta.) com Frederik Neij (à esq.) e Gottfrid Svartholm Warg, os outros fundadores do Pirate Bay BOB STRONG/REUTERS

Peter Sunde, um dos fundadores e porta-voz do Pirate Bay, o conhecido site de partilha de ficheiros, não tem dúvidas: “O 'movimento pirata' morreu”. Num artigo de opinião publicado na página Torrent Freak, o sueco de 36 anos diz que não quer saber se o movimento de pirataria “vive, existe ou o que quer que seja”. “Está morto” e “não faz sentido”, reforça.

Sunde trabalha actualmente no site de micro donativos que o próprio criou e onde o utilizador pode estabelecer um valor a pagar mensalmente e a dividir por sites que se pretenda ajudar financeiramente. O sueco está ainda envolvido na criação da Helm, uma aplicação para mensagens seguras, encriptadas, à prova de vigilância.

Antes destes projectos esteve na origem do site Pirate Bay, em 2003, que desenvolveu com Frederik Neij e Gottfrid Svartholm Warg. Em 2009, o trio, juntamente com Carl Lundstrom, o fornecedor do serviço de acesso à Internet onde o site estava hospedado, foram condenados a um ano de prisão cada um por um tribunal sueco por facilitarem a partilha ilegal de ficheiros. Além da pena de prisão, os condenados ficaram obrigados a pagar 30 milhões de coroas suecas (três milhões de euros) em indemnizações. 

Esta semana, Sunde publicou um artigo no Torrent Freak, onde afirma que é uma perda de tempo e de energia tentar quebras as regras dos direitos de autor ao divulgar e partilhar ficheiros de texto, software, música ou vídeo. O sueco está preocupado e concentrado nas causas que sempre defendeu e que, segundo este, a pirataria não ajudou a divulgar.

“Liberdade de informação, liberdade de expressão, vigilância, corrupção do Estado, senhores corporativos, controlo da nossa infra-estrutura, o direito ao acesso à educação e cultura, muitas. Estas discussões morreram? Não. Mas estamos a avançar alguma coisa com elas? Receio que não”, escreve Sunde.

O co-fundador do Pirate Bay diz que essas “batalhas foram perdidas” e lamenta que existam pessoas que se recusam a desistir. Sunde acredita nas causas que levaram à criação do site em 2003 mas considera que a pirataria que se pratica actualmente desviou as atenções dos principais objectivos como a luta contra a censura, liberdade de informação e de expressão, e colocou toda a atenção em organizações e “ícones nostálgicos”, como o Pirate Bay.

“Desistam da ideia de que os piratas são fixes. Não o são. O meu maior arrependimento na parte que assumi nisto tudo foi ter usado a palavra 'pirata'. Nem o Johnny Depp consegue fazer com que os piratas pareçam fixes – e ele consegue fazer com que até os traficantes de cocaína pareçam fixes. Os piratas são terríveis. E os piratas de hoje – aqueles da Somália – também perderam as suas batalhas. Óptimo! Então vamos livrar-nos dessa cultura estúpida de ter uma cultura estúpida", escreve o sueco.

Sunde tem manifestado esta posição desde que o Pirate Bay foi deitado abaixo por uma operação da polícia sueca no ano passado. Lamentando que o site tenha falhado a sua “missão ideológica”, Sunde reforça agora que é possível fazer mais e melhor. "Tornem-se em algo mais espectacular. Sejam cidadãos mundiais que se importam com os mesmos problemas. Juntem-se a outros partidos e façam-nos entenderem estas questões".