Paulo Portas diz não estar "nem aí" para a corrida a Belém

Vice-primeiro-ministro e líder do CDS-PP remete para a noite desta segunda-feira eventuais comentários sobre a sugestão de uma candidatura sua à Presidência. Portas realça que execução do Proder já vai nos 97%.

Paulo Portas tem feito propostas para o Ministério da Economia
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Paulo Portas tem feito propostas para o Ministério da Economia Enric Vives-Rubio

Foi com uma pequena frase em jeito brasileiro que Paulo Portas respondeu aos jornalistas sobre a sugestão de Pedro Santana Lopes de que o vice-primeiro-ministro seria um bom nome para candidato à Presidência da República. “Não estou nem aí.”

“A minha vida partidária é só logo à noite, mas não estou nem aí”, respondeu Paulo Portas quando questionado sobre o assunto esta segunda-feira de manhã à margem da apresentação do programa MBIA - McDonald's Business Initiative for Agriculture, que decorreu em Lisboa. "À noite, podemos falar, porque tenho comissão política", acrescentou o também líder do CDS, deixando no ar a possibilidade de se manifestar sobre o assunto junto do partido. E mais não disse.

O vice-primeiro-ministro aproveitou o evento para realçar que o Proder atingiu uma execução de 97%, afirmando que tal significa que os fundos agrícolas estão a ser usados correctamente e que espera chegar aos 100%.

“Hoje, Abril de 2015, estamos com 97% de execução do Proder [Programa de Desenvolvimento Rural], o que quer dizer que os fundos agrícolas foram para onde deviam ir, para o campo, para o mundo rural, para os empresários agrícolas e para os agricultores", disse Paulo Portas.

Frisou que os fundos agrícolas "não ficaram fechados nas finanças nem foram devolvidos a Bruxelas" e deixou uma expectativa: "Uma execução de 97% e eu ainda tenho esperança de que a gente chegue aos 100%. Devemos habituar-nos como país a ter esta eficácia na aplicação dos fundos agrícolas, aplicá-los todos e bem, por isso é que a agricultura dá um contributo para o crescimento e as exportações que hoje em dia todos reconhecem", acrescentou.

Paulo Portas afirmou que "a aposta no empreendedorismo agrícola e a prioridade dada ao mundo rural se acentuaram conscientemente nos últimos anos" e sublinhou que "o Governo e a administração pública são relevantes para determinar se o ambiente é favorável ao investimento na agricultura".

O governante considerou ainda como "funções básicas de uma administração eficiente" a capacidade de execução da totalidade dos fundos agrícolas e a antecipação de calendários para evitar interrupções no investimento, havendo dias certos para pagar e com os quais os agricultores possam contar. "O facto de não terem sido demasiado comuns durante muito tempo não nos deve afastar do objectivo de eficiência, eficiência, eficiência", disse.

Paulo Portas defendeu que "os fundos agrícolas mobilizam muito mais investimento privado do que as comparticipações nacionais ou comunitárias". "Porém, o atraso em comparticipações nacionais ou comunitárias gera um impasse na mobilização de recursos do sector privado. De cada vez que o Estado se atrasa gera um impasse no investimento, porque os euros que o investidor, o empresário ou o agricultor colocam nos seus projectos aguardam pela eficiência da administração na aplicação dessas comparticipações nacionais ou mobilização dos fundos comunitários", explicou.

O Proder tem que ser totalmente executado até 31 de Dezembro deste ano. As candidaturas já encerraram a 31 de Março e até ao final do ano o Estado tem que distribuir os fundos que ainda restam pelos projectos que já foram aprovados. Ao Proder irá agora suceder o PDR (Programa de Desenvolvimento Rural), integrado no novo quadro, o Portugal 2020.

Sobre o projecto MBIA - McDonald's Business Initiative for Agriculture, apresentado esta segunda-feira, o vice-primeiro-ministro disse que se trata "de associar o fomento do empreendedorismo, da inovação e da melhoria dos processos de produção na agricultura nacional a uma grande cadeia multinacional que é a McDonald's".

A empresa "está há quase 24 anos em todo o país. Cerca de 35% das compras dos seus produtos são já feitas no mercado nacional. Em produtos como maçã, tomate e cenoura a incorporação da McDonald's é 100% portuguesa e em carne de vaca essa incorporação já atinge 40%. Aliás, poderia dizer-se que alguns produtos são inteira e especificamente feitos em Portugal", destacou o vice-primeiro-ministro.