Portas promete novo investimento da Embraer em Portugal

Governante deu quase como certo uma terceira unidade de produção da Embraer, mas processo ainda está no início.

Foto
Para Paulo Portas, a privatização da Ogma foi um sucesso Enrique Vives-Rubio

No mesmo dia em que a Ogma – Indústria Aeronáutica de Portugal celebra os 10 anos da privatização da maioria do seu capital, o vice-primeiro-ministro Paulo Portas fez questão de realçar o sucesso da decisão de vender 65% do capital aos brasileiros da Embraer, que trouxeram outro modelo de gestão e a capacidade para fazer os investimentos de que a Ogma necessitava. Portas anunciou, esta segunda-feira, que o grupo brasileiro se prepara para fazer mais um “grande” e “decisivo” investimento em Portugal.

O governante referia-se à possibilidade de instalação em Évora de uma terceira unidade de produção da Embraer, destinada ao fabrico do novo jacto E2. O grupo brasileiro vai candidatar o projecto a fundos comunitários no âmbito do Portugal 2020 e o presidente executivo da Embraer já disse que espera uma aprovação dessa candidatura no horizonte máximo de um ano.

Paulo Portas, que também visita esta segunda-feira as fábricas de Évora da Embraer, foi mais longe e deu o investimento como praticamente certo. Ainda em Alverca, anunciou que, “sem querer trair nenhum segredo comercial”, a Embraer “prepara-se para investir mais em Portugal”, num projecto que considerou muito importante do “ponto de vista dos postos de trabalho, das exportações e, sobretudo, da capacidade de fabricar e de construir”.

Portas visitou a Ogma no dia em que a empresa celebrou o 10º aniversário da privatização da maioria do seu capital (o Estado português detém ainda 35% do capital). O governante lembrou que, em 2004, foi confrontado, enquanto ministro da defesa, com a informação de que a empresa não tinha meios para pagar salários nos meses seguintes. Foi então que optou pela reestruturação e privatização do capital que permitiu à Ogma “apanhar o voo da globalização”. O vice-primeiro-ministro afirmou ainda que decisão de escolher a Embraer foi a mais acertada, porque a Ogma tem sido o “pilar” da integração desta empresa no mercado europeu e se a empresa de Alverca tivesse sido vendida a um grupo europeu teria, hoje, muito menos importância.

Depois, Paulo Portas salientou que a Ogma, há 10 anos, tinha um volume de negócios de 117 milhões de euros e hoje está perto de 170 milhões. “Há 10 anos, a Ogma exportava 77 milhões e hoje exporta o dobro, mais de 150 milhões. Hoje é o produto de dezenas de milhões de euros de investimento. Se tivesse sido o Estado português a ser chamado a investir haveria sempre um bom motivo qualquer ligado a uma crise financeira para que o Estado não conseguisse investir. Esta empresa teria soçobrado e teria sido inconcebível que uma empresa como esta se afundasse”, sustentou.

Já Rodrigo Rosa, presidente do conselho de administração da Ogma, observou que “a aposta feita pela Embraer em Portugal valeu a pena” e que esta ligação tem trazido benefícios para os dois lados do Atlântico. Isso mesmo acrescentou Frederico Curado, presidente executivo da Embraer, frisando que a decisão de adquirir a maioria do capital da Ogma permitiu à Embraer passar de um grande fabricante brasileiro para um importante actor mundial do sector da aeronáutica com sede no Brasil.