Greve na CP pára 93% dos 455 comboios previstos até às 10h

Paralisação dos revisores da CP vai sentir-se até terça-feira.

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Utentes reivindicam viagens Guimarães-Porto em 50 minutos hugo delgado/arquivo

No balanço mais recente da greve, a porta-voz da empresa precisou que em Lisboa apenas 19 comboios do serviço urbano funcionaram. No serviço de longo curso circularam 12 alfa-pendulares e intercidades e no serviço regional só se efectuaram duas ligações, na linha do Algarve. Nas ligações internacionais, o único comboio previsto (o Lusitânia) circulou.

De acordo com a CP, as perturbações causadas pela greve estão a ser agravadas porque o Tribunal Arbitral, nomeado pelo Conselho Económico e Social, não fixou serviços mínimos, ao contrário do que vem sendo hábito, o que levou a empresa a avisar os passageiros quer através de avisos colocados nas estações, quer no seu site e call center.

Os revisores da CP agendaram uma greve de quatro dias (2, 3, 5 e 6 de Abril) para reclamar o cumprimento da decisão dos tribunais relativa ao pagamento dos complementos nos subsídios de férias e de Natal desde 1996. A esta paralisação juntou-se a greve ao trabalho em dia feriado convocada pela Federação do Sindicato dos Transportes e Comunicações (Fectrans), na passada sexta-feira Santa e no domingo de Páscoa.

Na sequência das greves, a circulação ferroviária está a ser afectada desde quinta-feira, devendo os atrasos e supressões prolongar-se até terça-feira, 7 de Abril, de manhã.

Ana Portela garante que na terça-feira “haverá comboios”, mas não arrisca dizer a partir de que horas, lembrando que há diariamente 1500 comboios a circular no país e que o serviço poderá sofrer “algumas perturbações nas primeiras horas da manhã”, em algumas zonas do país.

O presidente do Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial Itinerante (SFRCI), Luís Bravo, explicou na quarta-feira à Lusa que a CP foi condenada, em várias instâncias, a restituir os complementos que não foram pagos aos trabalhadores no subsídio de férias desde 1996 e no subsídio de Natal entre 1996 e 2003, estimando uma dívida de cerca de dez milhões de euros aos revisores e trabalhadores das bilheteiras.

Sem possibilidade de recurso, a CP e os representantes dos trabalhadores sentaram-se à mesa para chegar a uma acordo “para a empresa pagar essa dívida de forma gradual” e, em reunião a 18 de Março, os representantes do SFRCI foram informados de que a proposta de acordo ainda não tinha sido enviada à tutela, o Ministério da Economia.

“Nesse mesmo dia, decidimos quebrar a paz social, no período da Páscoa, com dois dias de greve, porque nestes nove meses de negociação, a administração criou a legítima expectativa de que os trabalhadores iriam ser ressarcidos e pensávamos que a empresa estava a proceder de boa-fé”, explicou à Lusa Luís Bravo, acrescentando que “o sindicato tentou tudo para evitar esta greve”.