Mulheres iranianas vão poder assistir a desportos masculinos

Governo de Teerão quer relaxar lei que proíbe mulheres de assistir a eventos desportivos masculinos. Nova norma vai ser posta em prática nos próximos meses.

Adeptas iranianas durante jogo de futebol entre a Suécia e o Irão, em Estocolmo, na semana passada
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Adeptas iranianas durante jogo de futebol entre a Suécia e o Irão, em Estocolmo, na semana passada Henrik Montgomery / Reuters

Numa decisão sem precedentes, o Irão vai levantar parcialmente a proibição das mulheres poderem assistir a eventos desportivos masculinos. O caso de uma jovem presa durante cinco meses trouxe a questão para a agenda internacional.

Uma pequena nota divulgada este sábado pela agência estatal IRNA revela que o vice-ministro dos Desportos, Abdolhamid Ahmadi, confirmou a apresentação de um “regulamento abrangente para a presença de famílias iranianas e mulheres em estádios desportivos” perante o Conselho de Segurança Nacional no último mês.

A norma será post em prática durante o actual ano iraniano – iniciado a 21 de Março do calendário gregoriano.

Porém, o levantamento da proibição não vai abranger todo o tipo de eventos desportivos. “Como é óbvio, [há] algumas áreas do desporto [nas quais] as famílias não estão interessadas a assistir nem há a possibilidade de que o possam fazer”, disse Ahmadi à Reuters, sem especificar que eventos estão excluídos. No entanto, a notícia é encarada como mais uma abertura do regime conservador de Teerão e surge numa semana histórica em que foi assinado o princípio de um acordo para o controlo do desenvolvimento nuclear iraniano.

De acordo com a lei islâmica no Irão, as mulheres estão proibidas de presenciar eventos desportivos protagonizados por homens. O regime dos ayatollahs considera que as mulheres devem ser protegidas do comportamento indecoroso do público masculino do desporto. Uma pequena alteração a esta norma, feita em Janeiro, veio possibilitar que as mulheres estrangeiras não fossem abrangidas pela proibição.

A lei recebeu mais atenção do público internacional devido ao caso de Ghoncheh Ghavami, uma rapariga de 25 anos que foi presa no ano passado por ter assistido a um jogo masculino de voleibol em Teerão. A prisão da jovem britânico-iraniana ganhou contornos políticos por causa da mobilização em torno da sua causa.

Várias organizações de defesa dos direitos humanos organizaram campanhas para a sua libertação e o Governo britânico intercedeu junto de Teerão. As autoridades iranianas argumentaram que Ghavami passava a responder pelo crime de propaganda anti-regime, causando apreensão junto dos familiares e dos advogados de defesa.

Em Novembro, ao fim de quase cinco meses de prisão, Ghavami foi libertada depois do pagamento de uma fiança. Na semana passada, o Tribunal de Recurso concedeu finalmente uma amnistia à jovem.

Recentemente, foi o próprio presidente da FIFA, Joseph Blatter, a apelar directamente às autoridades iranianas para acabar com esta proibição. “Levantei este tópico na minha reunião com o Presidente do Irão, Hassan Rouhani, e vim com a impressão que esta situação intolerável poderia mudar nos próximos tempos. No entanto, nada aconteceu”, escrevia Blatter na revista semanal da FIFA, no início de Março. Mas algo se passou entretanto.

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