Co-piloto fez buscas na Internet sobre segurança de aviões e suicídio

Dias antes da queda do avião da Germanwings, Lubitz consultou informação sobre portas de cockpit. Segunda caixa negra do Airbus encontrada nos Alpes.

Lubitz comunicou à escola de aviação que sofrera um “episódio severo de depressão”
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Lubitz comunicou à escola de aviação que sofrera um “episódio severo de depressão” Ralph Freso/Reuters

Investigadores alemães tiveram acesso às últimas pesquisas online de Andreas Lubitz e descobriram que, nos dias que antecederam a queda do avião da Germanwings, o co-piloto fez buscas na Internet sobre medidas de segurança em cockpit e utilizou palavras-chave ligadas ao tema. Estas buscas terão durado apenas “vários minutos”, de acordo com um comunicado das autoridades alemãs divulgado nesta quinta-feira.

As conclusões partiram da consulta a um tablet de Lubitz, onde os investigadores alemães conseguiram encontrar os detalhes das pesquisas online realizadas entre os dias 16 e 23 de Março. Os registos mostram também que procurou métodos de suicídio e tratamentos médicos (que as autoridades não especificaram).

 “Ao longo deste tempo [16 e 23 de Março] o utilizador fazia buscas por tratamentos médicos e informava-se de maneiras e possibilidades de se matar”, afirmaram os investigadores alemães, citados pelo New York Times, acrescentando ainda que “pelo menos num dia, a pessoa em causa passou também vários minutos a consultar palavras-chave sobre portas de cockpit e suas medidas de segurança”.

Estas informações surgem no mesmo dia em que investigadores franceses descobriram a segunda caixa negra do Airbus da Germanwings. Trata-se da última peça para se construir o puzzle do que se passou nos momentos finais que levaram ao desastre que matou as 150 pessoas a bordo do Airbus A320.

As primeiras investigações concluíram que foi Andreas Lubitz o responsável pela queda do avião sobre os Alpes franceses. Através da primeira caixa negra, que guarda o registo sonoro do que acontece no cockpit, os investigadores chegaram à conclusão de que o co-piloto se trancou na cabina do avião e que, uma vez isolado do resto da tripulação, operou deliberadamente os controlos da aeronave para que esta se despenhasse.

A segunda caixa negra, encontrada nesta quinta-feira, poderá confirmar isto mesmo. Esta contém os dados técnicos do voo e permitirá saber que controlos foram accionados nos momentos finais, incluindo se foi activado o mecanismo de bloqueio da porta do cockpit, que Lubitz terá utilizado para se isolar na cabina.

As autoridades francesas não deram mais detalhes sobre a segunda caixa negra mas, de acordo com o New York Times, que cita um investigador sob anonimato, esta encontra-se em boas condições. No dia que se seguiu ao desastre, os investigadores pensavam ter encontrado esta caixa, altamente danificada, mas chegaram mais tarde à conclusão de que se tratava, afinal, de uma antena da aeronave. 

“Lamentamos muito, muito”
Investigadores e jornalistas concentraram-se ao longo da última semana em Andreas Lubitz e nas suspeitas de que este sofria, ou sofrera, no passado, de perturbações psiquiátricas que poderiam estar por detrás das suas acções.

Um dos mais importantes desenvolvimentos neste tema aconteceu na terça-feira, quando a Lufthansa, a empresa-mãe da low-cost Germanwings, confirmou que Andreas Lubitz comunicara um “episódio severo de depressão” à escola de aviação da operadora alemã. Apesar disso, os responsáveis da operadora reiteraram que Lubitz passara todos os testes, físicos e psicológicos, e que foi considerado “cem por cento apto para pilotar, sem quaisquer restrições ou condições”.

Um dia mais tarde, à medida que disparavam questões sobre as exigências de segurança nas duas operadoras, os presidentes do conselho de administração da Lufthansa e da Germanwings divulgaram um comunicado conjunto em que pediram desculpa pelo desastre e asseguraram que estão dispostos a dar ajuda às famílias das vítimas enquanto esta for necessária.  

“Lamentamos muito, muito, que um acidente tão terrível tenha acontecido na Lufthansa, onde colocamos tanta ênfase na segurança”, disse Carsten Spohr, o CEO da Lufthansa.

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