Destruir

Despenhar um avião com vidas dentro

Não é o primeiro significado que o dicionário regista para a palavra “destruir”, mas é o que trazemos para aqui: “Causar a morte, matar, exterminar.” Na terça-feira, um piloto de 28 anos, aos comandos de um Airbus A320, quis “destruir o avião”, segundo afirmou o procurador-geral de Marselha. E conseguiu.

Fez despenhar o aparelho nos Alpes franceses e assim “eliminou” 150 vidas. Andreas Lubitz terá também “destruído” parte da vida dos familiares que aguardavam a chegada dos passageiros. Como a dos pais dos 16 jovens estudantes alemães do ensino secundário, que regressavam de uma viagem de intercâmbio escolar. E certamente conseguiu “desfazer” a alegria de todos os familiares e amigos das vítimas.

“Deitar abaixo o que está construído”, “derrubar”, “arrasar”, “devastar”, “fazer desaparecer” são outras explicações para o verbo “destruir”. Mas não será fácil explicar o sentido desta “destruição” voluntária por parte de alguém também tão jovem ainda.

Na quinta-feira, o jornal Le Monde recordou uma dezena de dramas desta natureza na aviação civil, naquilo a que chamou “assassinato-suicídio”: “O exemplo mais célebre data de 31 de Outubro de 1999, quando o voo 990 da companhia da companhia egípcia Egyptair se despenhou ao largo da costa de Massachusetts com 217 pessoas a bordo.”

Em nenhum dos casos se ficou a saber as motivações mais profundas dos pilotos. Se políticas ou psicológicas. O resultado sabe-se. Destrói.     

 

 

 

 

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