No Porto, designers calçaram rasos e escolheram tons neutros para o Inverno 2016

A 36.ª edição do Portugal Fashion continuou esta quinta-feira no Porto. Pedro Pedro fechou a noite num regresso à passerelle do Norte, oito anos depois.

No segundo dia de apresentação de colecções para o Inverno 2016, o Porto vestiu-se a rigor com chuva, frio e nevoeiro. Na passerelle, as peças obedeceram ao tempo e despontaram em tons escuros, como o preto e o azul-marinho, mas também em neutros, numa noite em que os sapatos rasos foram os eleitos dos criadores.

Coube às heroínas de Luís Buchinho iniciar a noite, com as suas sapatilhas a combinar com o palco: o ginásio de uma escola. Comics foi a comemoração dos 25 anos de carreira do criador português, que foi buscar o grafismo forte à banda-desenhada — colocou-o nos olhos das modelos, com triângulos em branco e preto — e criou peças de roupa com malhas e blocos de cor, silhuetas românticas, com saias longas e fluidas, mas também desportivas, em branco, preto, azul e lilás.

Perto das 21h, as propostas transferiram-se para o terceiro piso do edifício histórico do Palácio dos CTT, no topo da Avenida dos Aliados, onde a graduada da plataforma de novos talentos Bloom, Daniela Barros, conjugou materiais como a seda e peles de peixes (salmão e perca) em casacos texturados, e Hugo Costa, adepto de peças de sportswear, levou abrigos unissexo inspirados nas indumentárias dos nómadas tibetanos, em bege e azul-escuro — ambos a optar, também, pelo conforto dos sapatos sem salto para pisar o chão de cimento. 

Katty Xiomara fez uma Re-Evolution, começando com verdes e negros em blusões bomber e casacos grandes, de inspiração militar, e depois tons terra e café vistos em múltiplos padrões de camiseiros e blusas recortadas. Mas também houve rendas delicadas nas mangas e voilles de algodão e seda, alguns com brilhos. Xiomara foi a excepção à regra: calçou stilletto às suas mulheres, mas também botas da tropa, rasas. A sua colecção, a reivindicar o direito das mulheres serem femininas, teve ainda um sinal de telemóvel, com a marca patrocinadora do desfile a desafiar as manequins a tirarem selfies com o público no final.

No segundo dia foi a vez de Pedro Pedro regressar à passerelle do Portugal Fashion — a última apresentação nesta plataforma foi em 2007. Horas antes do desfile, o designer revelou ao PÚBLICO que as propostas apresentadas no Porto são “bastante diferentes das da ModaLisboa”, onde há duas semanas mostrou saias e vestidos em algodão, malhas caneladas e lãs feltradas, a maioria com os pespontos à vista.

Desta vez, o styling foi diferente, as peças mais desportivas — com casacos de capuz em tecido leve e transparente, vestidos e saias midi — e os sapatos foram outra das novidades: uma parceria com a marca de calçado portuguesa Basilius, em pele branca e preta. Mas a paleta de cores foi a mesma: tonalidades claras de cinza, castanho, caqui e rosa, com outras mais fortes como a mostarda e o preto.

Juntar peças para duas colecções distintas “foi um esforço bastante grande mas compensa”, diz Pedro Pedro, salientando que o Portugal Fashion e a ModaLisboa têm mercados diferentes. “Aqui em cima [no Porto] tem mais a ver com a indústria, conseguir parcerias, ir a feiras internacionais. São duas plataformas diferentes, com imagens completamente diferentes, mas são ambas proveitosas.”

Os homens “clássicos mas cosmopolitas” que Júlio Torcato levou à Mercedes-Benz Fashion Week de Madrid, com o apoio do Portugal Fashion, pisaram a passerelle do Palácio dos CTT já depois das 23h, com os atrasos do dia a acumularem-se e os novos talentos João Melo Costa e Mafalda Fonseca, do Bloom, a também apresentarem as suas propostas.

Esta sexta-feira é a vez de Ricardo Preto, Carlos Gil ou Miguel Vieira inaugurarem o Palácio da Bolsa como palco de desfiles.

A jornalista está hospedada a convite do Portugal Fashion