Mark Twain, o viajante global

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São inúmeras as biografias dedicadas ao americano mais famoso do seu tempo DR

Apesar das inúmeras biografias dedicadas àquele que é visto como o americano mais famoso do seu tempo, se não mesmo “o maior escritor da América”, parece haver ainda histórias novas a contar sobre Mark Twain (1835-1910). É isso que agora faz o historiador norte-americano Roy Morris Jr., que depois de uma primeira biografia dedicada ao escritor enquanto jovem, Lighting out for the Territory: How Samuel Clemens headed West and became Mark Twain (2010), regressa à sua vida aventurosa com American Vandal – Mark Twain Abroad.

Com chancela da Harvard University Press, e recém-chegado às livrarias norte-americanas, o novo livro é dedicado ao Mark Twain viajante compulsivo e transcontinental, que desde o seu primeiro cruzeiro transatlântico realizado em 1867, entre Nova Iorque, a Europa e a Terra Santa, realizou 29 travessias do Atlântico e depois circum-navegou todos os mares do mundo, da Ásia à Austrália, da Índia à Nova Zelândia.

Roy Morris Jr. foi buscar a expressão “american vandal” (“vândalo americano”) à própria escrita de Twain, que no seu livro The Innocents Abroad (1869) descreve essa “personagem” como “um visitante altivo, que pouco se interessa pela realidade dos lugares por onde passa, mas está sempre desejoso de se apropriar de qualquer souvenir que possa levar consigo”, como se pode ler na sinopse da Harvard University Press. Em Portugal, The Innocents Abroad, aliás A Viagem dos Inocentes, foi traduzido pela Tinta-da-China em 2010.

Segundo explica o historiador, o próprio Mark Twain viria depois, de algum modo, a adoptar esta persona ao longo da sua vida, mesmo depois de se ter transformado numa celebridade mundial, que não perdia uma oportunidade de jantar com o kaiser alemão Guilherme II, trocar umas piadas com o rei de Inglaterra Eduardo VII, ou dedicar-se à má-língua com o czar da Rússia Alexandre II…

No centro da nova biografia de Roy Morris Jr, especialmente conhecido pelos seus livros sobre a Guerra Civil americana, está, de resto, aquela travessia inaugural do Atlântico de 1867, no paquete Quaker City, onde, entre as cerca de sete dezenas de “vândalos americanos”, maioritariamente membros da First Presbyterian Church of Cleveland (e também repórteres de viagem), Twain teve como parceiro de camarote “o esplêndido, imoral, fumador, bebedor e ateu” Dan Slote, que transportava na sua bagagem… três mil charutos.

Seria, de resto, com a reportagem dessa travessia transatlântica publicada em 1869, dois anos depois do seu livro inaugural, The Celebrated Jumpig Frog of Calaveras County, que esse viajante aventureiro deixou de ser Samuel Clemens e se tornou Mark Twain, o futuro autor de As Aventuras de Huckleberry Finn.

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