Detido segurança de discoteca por agressão a jovem que morreu depois no hospital

Jovem foi expulso de um bar, em Famalicão, e envolveu-se em desacatos com seguranças no exterior, no sábado. Foi empurrado violentamente e bateu com a cabeça no chão. Morreu na sexta-feira seguinte.

A investigação foi conduzida pela Polícia Judiciária de Aveiro
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A investigação foi conduzida pela Polícia Judiciária de Aveiro

O segurança que terá agredido um jovem no sábado passado, à porta de uma discoteca em Famalicão, foi detido na noite desta segunda-feira. A vítima de 24 anos morreu no hospital de Braga cinco dias depois do episódio, tendo fonte da Polícia Judiciária adiantado ao PÚBLICO que a autópsia realizada recentemente estabelece como causa da morte a agressão.

O segurança, de 40 anos, foi detido pela “presumível autoria do crime de ofensa à integridade física, agravada pela morte da vítima”, adianta a PJ do Porto em comunicado. O detido será interrogado esta quarta-feira por um juiz de instrução criminal no Tribunal de Guimarães. Só depois serão conhecidas as medidas de coacção a que ficará sujeito até ao julgamento.

Para já, os investigadores consideram que o detido não tinha a intenção de matar. O jovem morreu na sequência de um traumatismo crânio-encefálico. Em causa está o facto de o segurança ter, já no exterior da discoteca, empurrado violentamente o jovem que acabou por bater com a cabeça no chão da rua em paralelo.

No sábado passado, Luís Miranda entrou no CHIC, uma discoteca na Rua Bernardino Machado, na Vila de Riba d’Ave, depois de um jantar de aniversário com amigos. A meio da noite foi expulso do interior da discoteca. De acordo com fonte da PJ, estaria alcoolizado tendo provocado distúrbios. Já no exterior da discoteca, o jovem terá atirado pedras na direcção dos seguranças, acrescentou fonte policial.

A detenção ocorreu após a PJ ter inquirido todos os seguranças daquele bar, assim como os responsáveis pelo estabelecimento. Todos prestaram declarações excepto o homem detido. Na sexta-feira, o bar publicou um comunicado na sua página oficial do Facebook lamentando a situação, mas garantindo que “os alegados envolvidos” não estavam ao seu serviço.

“Devido ao trágico incidente que vitimou o jovem Luís Miranda e, apesar de não existir qualquer tipo de responsabilidade nossa no trágico acontecimento, a que somos alheios, o CHIC estará encerrado, como forma de luto e de condolências à família e amigos. Esclarece-se que os alegados envolvidos não estavam ao serviço do CHIC, nem o trágico incidente ocorreu nas instalações deste bar”, refere o comunicado assinado por Vítor Barbosa em nome da gerência.

Segundo fonte da PJ, o segurança trabalha para a empresa SPDE – Segurança Privada e Vigilância de Eventos, com a qual o PÚBLICO contactou tendo a mesma remetido declarações para mais tarde.

A PJ não teve dúvidas, contudo, que os seguranças estavam ao serviço do estabelecimento. “Os factos tiveram origem numa discussão entre clientes da discoteca, na sequência da qual a vítima foi expulsa por funcionários que prestam serviço de segurança naquele espaço. Já no exterior, um dos seguranças terá confrontado a vítima, dando-lhe um forte empurrão que provocou a sua queda desamparada no chão, onde ficou inanimada”, acrescenta a PJ.

O jovem foi depois ajudado por um amigo que o levou de carro para o hospital de Riba d’Ave, mas face à gravidade das lesões, foi entretanto transportado para o hospital de Braga, onde deu entrada às 7h de domingo. Esteve desde então internado em estado de coma e sempre com prognóstico reservado naquela unidade de saúde, onde acabou por morrer sexta-feira.

A situação não foi de imediato reportada às autoridades, pelo que apenas na terça-feira, depois da queixa da família do jovem no posto da GNR de Riba d’Ave, é que a situação passou a ser do conhecimento da polícia. Por outro lado, só esta sexta-feira é que o caso passou para a alçada da PJ do Porto face à informação de que o jovem tinha morrido.

O advogado da família do jovem, Daniel Rodrigues, adiantou sexta-feira ao PÚBLICO que iria pedir para que os pais da vítima se constituíssem “assistentes no âmbito do processo-crime”. Luís Miranda era de Ronfe, no concelho de Guimarães, e trabalhava numa empresa de componentes automóveis também situada em Famalicão.