Rio joga tudo no resultado das eleições legislativas

Antigo secretário-geral do PSD não fala sobre o seu eventual regresso à vida política, mas entende que lhe “é inaceitável perder as guerras por falta de comparência”.

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Rui Rio

Rui Rio, o ex-presidente da Câmara do Porto, deverá jogar o seu regresso à vida política activa nas eleições legislativas deste ano. Com o PSD a descer nas sondagens depois do episódio das dívidas contributivas do primeiro-ministro, Rui Rio vai esperar pelo resultado das legislativas. E se os sociais-democratas tiverem uma derrota significativa, como muitos prognosticam, Pedro Passos Coelho deixará de ter condições para se manter na liderança do partido e nesse cenário Rio poderá disputar a presidência do PSD num congresso extraordinário.

Até lá, o antigo secretário-geral do PSD, que tem gerido com pinças a sua exposição mediática desde que abandonou a presidência da Câmara do Porto, em Outubro de 2013, vai continuar em silêncio, mas já disse que não quer que as pessoas fiquem decepcionadas consigo. “Para além de não dominar os tempos em que as guerras lhe são impostas, também lhe é inaceitável perdê-las por falta de comparência”, lê-se na sua biografia.

As sondagens dão-no como o melhor para governar o país e um dos mais fortes candidatos à Presidência da República em 2016 e Rio sabe disso. Nas múltiplas sessões em que tem participado um pouco por todo o país, são muitas as declarações de simpatia e de incentivo que recebe. Regista atentamente tudo o que as pessoas lhe dizem e considera que esta é a sua “melhor sondagem”. Umas incentivam-no a avançar para Belém outras, pelo contrário, tentam empurrá-lo para a liderança do PSD, tendo em conta o seu perfil executivo.

O ex- autarca do Porto tem dito em privado que está bem a fazer o que faz - trabalha nas empresas de recursos humanos Neves de Almeida e Boyden - mas, por outro lado, não esconde que, se sentir que “realmente há muita gente que quer que faça determinada coisa”, não pretenderá decepcionar ninguém nem defraudar expectativas e assumirá as suas responsabilidades.

Mas sabe que isso depende de circunstâncias que não domina e que são mais complexas para ele do que, por exemplo, são para Marcelo Rebelo de Sousa, António Guterres ou até mesmo para António Vitorino, que podem vir a disputar apenas as presidenciais. Já no seu caso, existem dois cenários.

Um amigo próximo de Rui Rio admite que o antigo secretário-geral do PSD “não esteja realizado com aquilo que está a fazer” e diz que, neste jogo de xadrez das presidenciais, tem uma posição nobre ."É um bispo, que se movimenta na diagonal”, declara, acrescentando que "neste xadrez Marcelo e Santana são dois cavalos. Marcelo é um cavalo com cavaleiro-estratega, enquanto Santana é um cavalo já gasto, que se tem de mostrar como prova de vida”.

Com as eleições legislativas no horizonte, o PSD não quer ouvir falar de presidenciais e centra toda a sua atenção no grande combate que vai decidir quem vai ser o próximo primeiro-ministro. Os sociais-democratas receiam que o caso em torno das dívidas à Segurança Social e processos no fisco do primeiro-ministro e líder do partido criem transtorno na campanha, mas consideram que ainda há tempo para o partido recuperar da polémica até às legislativas.

Em Aveiro, num almoço recente das distritais do PSD, houve quem tivesse defendido que o partido precisa de um “golpe de asa”, porque os estilhaços do caso em torno das dívidas à Segurança Social e processos no fisco do primeiro-ministro não são comparáveis com os da Tecnoforma. Em 1996, Passos Coelho foi o principal impulsionador de uma organização não-governamental concebida para obter financiamentos destinados a projectos de cooperação que interessassem à empresa e terá recebido dinheiro enquanto desempenhou funções de deputados em exclusividade entre 1995 e 1999.