Nova directora do Museu Gulbenkian deverá ser a inglesa Penelope Curtis

A historiadora de arte e comissária está hoje à frente da Tate Britain. Gulbenkian não confirma nomeação.

Penelope Curtis está ao centro fotografada nas escadas da Tate Britain
Penelope Curtis está ao centro fotografada nas escadas da Tate Britain REUTERS/Olivia Harris
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O concurso para a direcção do Museu Gulbenkian deverá ficar concluído em breve e o mais provável é que o nome a anunciar pela fundação seja o de Penelope Curtis, historiadora de arte especializada em escultura que em 2009 se tornou a primeira mulher nomeada para a direcção da Tate Britain, em Londres, instituição que é, na prática, o museu nacional de arte britânica.

O nome de Curtis, que nasceu em 1961 e que tem no seu currículo a Tate Gallery de Liverpool, onde foi comissária de exposições, e o Instituto Henry Moore em Leeds, onde desempenhou as mesmas funções, não foi ainda confirmado pela Fundação Gulbenkian. Contactada pelo PÚBLICO, Elisabete Caramelo, directora de comunicação, disse apenas que o processo de selecção do novo director não está concluído.

Curtis deverá substituir no cargo João Castel-Branco Pereira, historiador de arte que dirigiu o museu desde 1998 e que no final do ano passado anunciou que se iria reformar. 

A confirmar-se, a nomeação porá termo a um concurso internacional que contou com a contribuição de uma empresa de recrutamento britânica especializada na área cultural - a Liz Amos Associates, que tem a própria Tate Britain entre os seus principais clientes - e com um júri nomeado pela fundação, cuja composição não foi divulgada. 

No anúncio do concurso publicado no site da Gulbenkian, informava-se que o futuro director seria responsável por “orientar a implementação de um plano de gestão que, em 2017, apresentará uma estrutura unificada de apoio às actividades da Fundação, no âmbito das artes visuais e decorativas”. Uma formulação que parece prever uma relação muito próxima entre o museu e o Centro de Arte Moderna (CAM) da fundação, algo que hoje não existe. 

Esta interpretação deixa de ser apenas uma possibilidade quando se consulta a página da Liz Amos Associates na Internet e se lê, com maior detalhe, o que se esperava de um candidato a esta direcção, cujo concurso terminou em Dezembro do ano passado: o conselho de administração da Gulbenkian pretende que o escolhido venha a ter “responsabilidades adicionais no fomento da colaboração com o Centro de Arte Moderna, em articulação com a sua directora, Isabel Carlos”, criando, “a partir de 2017, um programa de exposições inter-relacionado”.

Estará a possível nomeação de Penelope Curtis na antecâmara de uma reestruturação na área das artes na fundação?

Dois museus muito diferentes

O Museu Gulbenkian e a Tate Britain são distintos. Se o primeiro é muitas vezes descrito com um dos melhores pequenos museus do mundo - a empresa de recrutamento contratada pela fundação também o define assim -, a segunda é uma das grandes galerias da galáxia Tate, de que fazem parte extensões em Liverpool e St. Ives, bem como a Tate Modern, em Londres, um dos museus de arte contemporânea mais importantes do panorama internacional.

Mas as diferenças não se ficam apenas pela escala. O museu lisboeta é o depositário do gosto de um coleccionador, Sarkis Gulbenkian, e tem em exposição cerca de um milhar das seis mil peças reunidas pelo fundador, incluindo arte da antiguidade - do ocidente (mundo greco-romano) e do oriente (a China, o Japão, o Egipto e o mundo islâmico, sem esquecer o império assírio, estão representados) -, pintura europeia com destaque para obras de Édouard Manet ou William Turner, e artes decorativas, com excepcionais peças de ourivesaria de René Lalique. 

A Tate Britain é um grande museu dedicado à arte britânica, de 1500 à actualidade, e faz parte de uma complexa malha de instituições. Ainda que nele trabalhe desde Abril de 2010, como historiadora e autora - escreveu, por exemplo, Sculpture 1900-1945: After Rodin e Patio and Pavilion: The place of sculpture in Modern Architecture - Curtis está mais familiarizada com o século XX. O CAM, que para além de uma importante colecção de arte moderna e contemporânea portuguesa, inclui um acervo de arte britânica dos séculos XX e XXI, está mais próximo do seu universo enquanto historiadora de arte e comissária.

No ano passado, a directora da Tate Britain enfrentou duras críticas devido ao decréscimo de visitantes e a um programa de exposições que parece ter desagradado tanto ao público como aos especialistas, mas muitos foram os que saíram em sua defesa, evocando os cortes no investimento no museu, resultantes de uma aposta cada vez mais forte na Tate Modern.

O PÚBLICO contactou a Tate Britain, mas foi impossível obter declarações de Penelope Curtis.